Pela primeira vez em 30 anos, o principal cargo da Igreja Católica no Paraná pode mudar de mãos. O arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, enviou ao Vaticano o pedido de renúncia do cargo e aguarda a decisão da Santa Sé para saber se continua. Esse é seu desejo, como revelou à Folha. Normas da Igreja estabelecem que, ao completar 75 anos, a sucessão de cargo hierárquico pode acontecer. Dom Pedro chegou a essa idade ontem.

Quem definirá seu sucessor é o Vaticano. Dom Pedro, porém, admitiu que pode ser substituído pelos arcebispos Ladislau Biernaski e Sérgio Braschi. Apesar de Dom Ladislau ser engajado a movimentos sociais como a Comissão da Pastoral da Terra (CPT), para Dom Pedro isso não é motivo de veto a seu nome.

Ontem, em vez de comemorar o aniversário, Dom Pedro foi chamado pelo dever. Ele celebrou missa de corpo presente do padre Alcides Zanella, titular da Paróquia de São Sebastião de Rondinha, em Campo Largo (na Região Metropolitana de Curitiba).

''Enquanto aguardo a decisão do Vaticano, continuo exercendo minhas funções. Poderia estar em casa comemorando meu aniversário. Mas, em momentos como esse, deixo tudo para rezar pelos mortos e doentes, para confortar os familiares, amigos e a população que sofre com a perda de um ente querido'', disse Dom Pedro.

O arcebispo disse que a escolha de seu sucessor é sigilosa. ''O embaixador do Papa consulta bispos e padres do Paraná e consultores da arquidiocese. Depois, ele analisa o que é preciso mudar e o que o local necessita'', explicou.

Nascido em Campo Largo em 1926, Dom Pedro Fedalto foi nomeado arcebispo em dezembro de 1970, aos 44 anos. Até 1940, estudou no Seminário São José, em Curitiba. Sete anos mais tarde, seguiu para São Paulo, onde cursou filosofia e teologia. Em 1953 foi ordenado sacerdote.

Entre os principais realizações ao longo destes 30 anos como arcebispo, Dom Pedro destacou a vinda do Papa João Paulo II a Curitiba, em 1980; a realização do Sínodo Arquidiocesano por ocasião dos 100 anos da Arquidiocese e a festa de Pentecostes em 2000, quando foram enviados 40 mil missionários. ''Em 1997, fui convidado pelo Papa para ser um dos representantes do País no Sínodo do América, em Roma'', contou.

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