Marcos NegriniPioneiro de féArcebispo se notabilizou pelas posições morais conservadoras e capacidade de trabalho. Vida do prelado se confunde com história de Maringá, cidade que, mesmo aposentado, ele não pretende abandonar. Embora arrojado nas idéias, d. Jaime sempre foi dogmático nas questões morais. No ano passado, caso controvertido de pedido de aborto gerou anúncio de excomunhão e animou polêmica sobre o direito à vida Ele chegou em Maringá em março de 1957, quando a cidade tinha apenas 10 anos. Percorreu os municípios da região de Jeep e de avião teco-teco, que eram emprestados gentilmente por fazendeiros fervorosos na fé cristã. Em poucos anos, mostrou sua força política e vocação para lutar pelo crescimento da cidade dentro dos padrões mais modernos da época.
Foi o idealizador da Catedral Nossa Senhora da Glória, hoje considerada o principal cartão postal de Maringá, e diz que não imaginava a dimensão que o monumento acabaria ganhando. Dom Jaime Luiz Coelho, 80 anos, fez história em Maringá, cidade que escolheu para viver o resto de sua vida.
Dono de uma personalidade forte, que não se curva diante das imposições de políticos, o arcebispo de Maringá nos últimos 40 anos é sem dúvida uma das personalidades mais reverenciadas da cidade. Faltando menos de um mês para a entrega do cargo de arcebispo ao novo titular nomeado pelo papa, dom Murilo Kriger, dom Jaime continua recebendo inúmeros convites para celebrar missas em cidades vizinhas e até mesmo em outros Estados. A todos os convites, d. Jaime tem sempre a mesma resposta: ‘‘Posso ir para celebrar missa, mas não para ficar, porque não pretendo mudar de Maringᒒ.
A cumplicidade de d. Jaime com Maringá faz sentido, afinal ele foi o responsável pela criação de diversas entidades e instituições da cidade. Alguns exemplos? D. Jaime ajudou a criar a Faculdade Estadual de Ciências Econômicas, que se tornou Universidade Estadual de Maringá (UEM), fundou os colégios Marista, Regina Mundi, São Francisco Xavier e Santo Inácio e idealizou o projeto da catedral.
A nomeação para o cargo de arcebispo de Maringá na recém-formada diocese foi feita pelo Papa Pio XII, em dezembro de 1956. D. Jaime diz que recebeu com surpresa a nomeação e que sua primeira reação foi procurar no mapa a cidade de Maringá.
Para sua surpresa, a cidade não constava no mapa que dispunha. ‘‘Não tinha Maringá no meu mapa e eu fiquei muito curioso em saber onde ficava a cidade’’. Uma visita providencial do padre Germano acabou com a angústia de d. Jaime. ‘‘Quando o padre Germano, que estava em Maringá, me trouxe o mapa, pude ver que a cidade ficava na região do Norte Novíssimo do Paranᒒ, relembra.
Surpreso mesmo, d. Jaime ficou quando chegou na cidade. ‘‘Havia duas paróquias e alguns bairros, com pouco mais de 15 mil habitantes’’. Ele tinha deixado a cidade de Ribeirão Preto (interior de São Paulo), e diz que ficou impressionado com a fé dos desbravadores na região de Maringá.
A terra roxa, típica da região, encheu os olhos do novo morador de Maringá, que embora admita ter saudades da recepção calorosa do povo na época, diz que não gostaria de voltar no tempo devido às dificuldades de locomoção na década de 50 e 60. ‘‘Era tudo muito difícil. Para se ter uma idéia, a gente levava algumas horas para ir até Mandaguari’’. Hoje o trajeto é feito em alguns minutos.
Dificuldades à parte, d. Jaime não esconde a emoção ao relembrar com carinho de algumas visitas feitas na região do Rio Paraná e nos pequenos distritos, onde a população dava demonstração de muita fé. ‘‘Era um povo muito fervoroso que muito colaborou com as obras da Igreja Católica’’.
Quando Dom Jaime tinha que celebrar missas em localidades mais distantes, usava de duas alternativas: se não conseguia um Teco-Teco emprestado, alugava um avião, mas mantinha o compromisso de estar nos municípios ou sítios distantes a pedido dos fiéis.
Dificuldades à parte, Dom Jaime não esconde a emoção ao relembrar com carinho, de algumas visitas feitas na região do Rio Paraná e nos pequenos distritos, onde a população dava demonstração de muita fé. ‘‘Era um povo muito fervoroso que muito colaborou com as obras da igreja católica’’.

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