Araupel já esperava ação
Curitiba- O empresário Luiz Roberto Ceron comentou que a Araupel já esperava a nulidade do processo de compra. Entretanto, ele disse que não deverá haver negociação de valores apenas relacionados às benfeitorias. ''Se não houver uma negociação justa, não vai haver assentamento modelo. Desde 1996 estamos sofrendo ataques do MST. Queremos agora um mínimo de estabilidade para sobrevivermos e continuarmos atuando em Quedas do Iguaçu'', disse. A Araupel é a maior empresa da região e gera empregos e tributos. A receita líquida da empresa por ano é de R$ 129,4 milhões (dados de 2003).
O secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, admitiu ontem que o assentamento pode levar anos para se tornar uma realidade se o caso for debatido na Justiça Federal. ''Os sem-terra precisam neste momento de apoio dos governos estadual e federal para começar a plantar culturas de subsistência, tornando esse processo sem volta. Acho que a decisão do Incra é positiva para nós todos que lutamos pela reforma agrária'', afirmou ele.
Padre Roque disse ainda o governo do Estado já desconfiava que a titulação da Araupel fosse inválida. ''A gente sempre desconfiava. As escrituras de terra no Paraná são todas dúbias. Esse não é o primeiro caso em que se escritura terras que pertencem à União. Acho que temos que correr o risco de perder o assentamento. O governo não tem obrigação de salvá-los (Araupel) da falência'', concluiu.
O contrato de compra e venda anulado previa que o Incra pagasse à Araupel R$ 70 milhões em dinheiro e o restante em Títulos da Dívida Agrária (TDAs). Parte dos recursos seriam encaminhados ao Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) para amortização de dívida da empresa.
A assessoria do MST informou ontem que há preocupação com o futuro do assentamento. Já está programado ato público para mostrar o descontentamento dos acampados. As famílias devem estabelecer negociações com o Incra na tentativa de agilizar o processo de assentamento definitivo de pelo menos 1,6 mil famílias.(L.P.)





