São Paulo, 22 (AE) - A rede de lojas Arapuã não depositou hoje a primeira parcela da concordata, correspondente a R$ 240 milhões, para o pagamento de 600 credores. O advogado da empresa, Sérgio Bermudes, entrou com pedido ao juiz da 6.ª Vara Civil de São Paulo, Urbano Borges, para remessa de autos ao contador - para calcular o valor devido aos credores -, um recurso jurídico que serve para ganhar tempo. Paralelamente, Borges indeferiu dois pedidos de falência formulados pela Evadin
controlada pelo empresário Léo Kriss.
Mesmo sem pagar a quantia da primeira parcela, Bermudes fez um depósito de R$ 2 milhões para pagamento dos pequenos credores. "Fiz um apelo à sensatez", contou o advogado. Segundo ele, a Arapuã hoje tem 12 mil funcionários e não se pode prejudicá-los numa época em que a economia brasileira passa por sérios problemas.
Enquanto ganha tempo, a Arapuã fez uma proposta de reestruturação aos credores/fornecedores, que conta com 80% de adesão. Com isso, a concordata poderia ser descaracterizada, pois os fornecedores concordam em fazer parte de uma empresa na qual seriam donos de debêntures resgatáveis em dez anos, tendo a Arapuã como devedora. O montante de crédito desses fornecedores chega a R$ 420 milhões.
As três empresas que não aceitaram fazer parte do grupo de debenturistas - Philips, Sony e Evadin - têm R$ 126 milhões de créditos a receber. Alguns juristas entrevistados hoje, que não quiseram ser identificados, disseram que a Arapuã deveria ter feito depósito de pelo menos R$ 48 milhões, referentes a 40% da dívida dessess três credores. "Não temos dinheiro para fazer depósito", retrucou Bermudes.
Segundo ele, Philips e Evadin estão entrando num jogo perigoso. "Temos como saída o plano de reestruturação ou a falência", disse. Hoje o juiz Borges, ao negar o pedido de falência da Evadin, escreveu que "a empresa não podia lançar todo mundo nas profundezas do oceano." Procurado ontem pelo Estado, o diretor-superintendente da Evadin, Antônio Martins Lima, não se pronunciou.
Despreocupação - Para a Philips, não interessa fazer uma composição para ser debenturista, pois isso seria um perdão à dívida da Arapuã. A credora não está preocupada com a parcela que não foi depositada. "Já está na Justiça um processo contra a Arapuã para o pagamento de R$ 31 milhões", informou o porta-voz da Philips, Guilherme Whitaker Penteado. "O que a empresa está cobrando são os débitos que tinham como garantia imóveis e parte das ações do Banco Fenícia", ressaltou.
Bermudes, por sua vez, rebateu: "A Arapuã está em concordata e não pode se desfazer de imóveis". Além disso, comentou, seria injusto pagar os três credores, enquanto a maioria dos fornecedores aceitou ser debenturista da Arapuã. "Tem de haver, neste momento, sacrifício de todo mundo."
Corre favoravelmente à rede varejista o fato de a Arapuã estar pagando em dia as mercadorias que têm adquirido para operação, a redução do número de lojas, de mais de 300 para 180, e do prejuízo. O faturamento, que, nos bons tempos, chegou perto dos R$ 2 bilhões, fechou em R$ 703 milhões no ano passado.

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