Arapongas - Com uma população de aproximadamente 100 mil habitantes, Arapongas (Centro-Norte) é um exemplo de cidade média paranaense que não tem delegacia da mulher. No mês passado, representantes locais participaram de uma reunião com o secretário de Estado da Segurança Pública, Cid Vasques, para falar das necessidades do município na área. Uma das reivindicações foi a implantação de uma delegacia da mulher em Arapongas.
Segundo Devanir Estrada, presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Arapongas, o secretário informou que não havia como atender à solicitação no momento. Mas até o final de abril duas investigadoras devem ser lotadas na cidade, para tratar exclusivamente de casos de violência contra a mulher e idosos.
A esperança é que a contratação de novos delegados, que será feita através de concurso público com primeira fase em maio, possibilite a implantação de uma delegacia da mulher em Arapongas. Estrada acredita que a ausência dessa unidade inibe as vítimas de violência.
"Com a delegacia, a mulher vai ter mais coragem para denunciar. Ela vai ser assistida por uma psicóloga e uma assistente social, só depois vai relatar o caso. Além disso, vai contar para uma mulher, não para um homem. Em uma delegacia comum, a vítima pode se sentir inibida", justifica. Segundo Estrada, Arapongas já teve uma delegacia da mulher, que funcionou por pouco tempo.
Representantes da Prefeitura de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), município de porte semelhante ao de Arapongas, participaram recentemente de uma reunião com a cúpula da Polícia Civil para reivindicar a criação de uma delegacia da mulher na cidade. O governo acenou com a possibilidade de modificar a delegacia local, com o projeto Delegacia Cidadã, que teria estrutura para vários tipos de atendimento - entre eles, a mulheres vítimas de violência.
"A Delegacia de Piraquara hoje não dá conta da demanda não só de casos de violência contra a mulher, mas outros tipos de crimes", diz Cristina Maria Rizzi Galerani, secretária municipal de Assistência Social de Piraquara.
Ela aponta que já existe uma "rede de proteção" para o atendimento da população feminina, desempenhado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), o Poder Judiciário e outras instâncias, e que uma estrutura policial específica para a mulher agredida seria útil para facilitar encaminhamentos como registro de boletim de ocorrência e exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). "Mas para isso já seria importante uma Delegacia Cidadã, como foi sugerido, em vez de uma delegacia exclusiva para a mulher", afirma.
Cristina relata que o Creas de Piraquara presta cerca de mil atendimentos por ano. Destes, 70% são relativos a casos de violência contra mulheres, que no local conversam com assistentes sociais e psicólogas.
No estudo Mapa da Violência, Piraquara apareceu em 2010 como o segundo município brasileiro com maior taxa de homicídios de mulheres, com um índice de 24,4 assassinatos para cada 100 mil habitantes do sexo feminino, atrás apenas de Paragominas (PA). Arapongas não figurou entre as 100 cidades com maiores taxas. (F.G.)

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