Gaza, 27 (AE-AP) - O presidente da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, deu hoje (27) um claro sinal de que não proclamará um Estado palestino independente no dia 4, quando vencem os cinco anos de autonomia interina previstos nos acordos de paz com Israel.
"Não temos de consagrar nosso Estado porque já estamos praticando a condição de Estado", afirmou Arafat na sessão de abertura de um encontro extraordinário do Conselho Central Palestino (CCP, o Parlamento reduzido da OLP) em Gaza, segundo a agência oficial Wafa. Arafat referia-se ao fato de a Autoridade Palestina (AP), estabelecida com base nos acordos de paz de Oslo
governar parcialmente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
O líder da AP e da OLP reafirmou o direito de seu povo à independência, mas indicou que proclamá-la agora não seria a decisão mais sábia. "Estamos passando por um período muito delicado na história de nosso povo, durante o qual não podemos cometer erros." A palavra final sobre a independência será do CCP, que é dominado por partidários de Arafat e deverá seguir sua orientação.
Procurando negar ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, munição para sua campanha para as eleições gerais do dia 17 em Israel, outros membros do CCP também indicaram que adiarão a independência - depois que os EUA, reconhecendo que o prazo inicial de 4 de maio para um acordo final de paz não será cumprido, pediram segunda-feira que palestinos e israelenses iniciem negociações aceleradas após as eleições em Israel e acertem esse pacto em até um ano, com a ajuda americana. O pedido de Washington foi bem recebido pelas duas partes.
"Não acho que precisemos correr para decidir se a declaramos ou a adiamos nestes dias", afirmou o ministro da Informação da Autoridade Palestina, Yasser Abed Rabbo, um dos 124 integrantes do CCP. "Creio que o encontro deve permanecer aberto pelas próximas semanas para que possamos consultar nosso povo." Segundo ele, pode ser adotada amanhã a decisão de estender as discussões.
Diante da estagnação do processo de paz, Arafat vinha prometendo proclamar a independência no dia 4, mas parece ter recuado diante da forte pressão internacional para abster-se de tomar uma decisão unilateral e da possibilidade de que tal medida acabasse beneficiando a candidatura do direitista Netanyahu à reeleição.
O líder israelense tem dito que anexará partes da Faixa de Gaza e da Cisjordânia que ainda estão sob controle israelense se os palestinos proclamarem um Estado. "Yasser Arafat sabe que não haverá Estado palestino se eu continuar no poder", advertiu Netanyahu hoje. "Não haverá um Estado palestino e Jerusalém não será dividida."
Causando surpresa, quatro líderes do grupo extremista palestino Hamas (contrário ao processo de paz) resolveram participar (com status de observadores) do encontro do CCP, entre eles o fundador e guia espiritual da organização, o xeque Ahmed Yassin, que chegou à reunião num carro com chofer - presente de Arafat. O comparecimento de Yassin foi interpretado como um sinal de que o integrista Hamas pode estar caminhando para a reaproximação com as secularistas OLP e AP.

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