Belém, Cisjordânia, 25 (AE) - A Autoridade Palestina (AP) acusou informalmente os Estados Unidos (EUA) de terem "boicotado" as comemorações da noite de Natal, ontem, em Belém. A informação foi confirmada à Agência Estado por assessores diretos de Yasser Arafat. Os palestinos esperavam cerca de 60 mil turistas, mas na Praça da Manjedoura, onde concentraram-se as atividades não havia mais do que 15 mil pessoas, na avaliação da polícia.
Há cerca de dez dias, a emissora de televisão CNN divulgou um alerta, feito pelo Departamento de Estado americano, sugerindo que as pessoas tomassem cuidado com possíveis atentados terroristas no período das festas de Natal e ano-novo, especialmente no Oriente Médio. A imprensa israelense divulgou hoje a insatisfação de Arafat em relação à atitude dos EUA.
A festa de Natal, em Belém, está sendo considerada o marco das comemorações de um projeto maior: Belém 2000 para o qual ainda estão sendo esperados, ao longo do ano, milhares de visitantes. A partir deste projeto, a cidade dará, segundo as expectativas da AP, visibilidade mundial aos territórios palestinos, em assuntos relacionados à cultura e ao turismo e não aos conflitos.
Além disso, a AP terá oportunidade de provar que sua polícia é capaz de manter a segurança dos turistas estrangeiros e ao mesmo tempo controlar eventuais tentativas de atentados por parte dos radicais, após 28 anos de ocupação do exército de Israel na região. E isso não é fácil. Hoje, horas antes do início das comemorações de Natal, uma bomba explodiu no centro de Natanya, ao norte de Israel. A polícia informou que ninguém ficou ferido e atribuiu o atentado a grupos nacionalistas palestinos contrários ao processo de paz.
O tom da comemoração de Natal, em Belém , foi essencialmente político. Arafat, de acordo com sua assessoria, pretendia aproveitar a presença dos primeiros-ministros da Itália, do Marrocos e de representantes de outros países, para lançar seu mote do milênio: "De Belém 2000 para o Estado palestino, com capital em Jerusalém, sob o governo de Yasser Arafat". A programação na Praça da Manjedoura teve a participação de grupos musicais de vários países, como Quênia, Suécia, Cuba e Alemanha.
A cidade de Belém, onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo nasceu, e onde está localizada a Igreja da Natividade, vem sendo preparada, pela AP, para se tornar o epicentro do cristianismo, durante as comemorações dos 2 mil anos da era cristã. A Praça da Manjedoura, localizada na frente da igreja, está pronta para receber milhares de turistas. Em volta do local
há dezenas de restaurantes e lojas de souvenires. Nas ruas do entorno, há, inclusive, um cyber café, onde os clientes podem usar a Internet para enviar mensagens eletrônicas.
Apesar dessa aparência de modernidade, alguns sinais, como a pobreza das casas nos bairros residenciais ou a falta de um hotel de porte para receber turistas, evidenciam a falta de estrutura de Belém, a exemplo do que ocorre em outras cidades controladas pela AP. Além disso, a cidade, por ser um dos locais cristãos mais importantes, foi totalmente decorada com motivos natalinos. Nas colinas, longe da Igreja da Natividade, nas edificações mais altas foram colocadas cruzes feitas de luzes vermelhas e em toda as principais ruas da cidade, foram armadas correntes iluminadas com motivos natalinos. Isso, apesar de a maioria da população ser muçulmana e estar no meio das comemorações do Ramadã, o mês santo.
Por tudo isso, a primeira noite de Natal atraiu a atenção da imprensa mundial: cerca de 40 emissoras de televisão transmitiram ao vivo a programação e jornalistas de vários países acompanharam o vai-e-vem dos políticos que, ao lado de Arafat e sua mulher, assistiram a cerimônia realizada pelo patriarca da igreja católica ocidental, Michael Sabbah.
O patriarca ocidental, que pela primeira vez esteve acompanhado de representantes do clero da igreja oriental, abriu a Porta Sagrada - que marca o início da comemoração do jubileu - no mesmo momento em que o papa João Paulo II, fazia o mesmo ritual, no Vaticano.

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