Salvador, 17 (AE) - A Aracruz Celulose anunciou oficalmente hoje a inauguração, na sexta-feira, de sua primeira unidade de produção de madeira para móveis e similares, que está instalada no município de Nova Viçosa, extremo sul da Bahia. A unidade, batizada de Aracruz Produtos de Madeira, é a maior serraria da America Latina, custou US$ 50 milhões e terá capacidade de produzir 75 mil metros cúbicos de madeira por ano.
Vai utilizar como matéria-prima uma floresta plantada de "lyptus", espécie híbrida do eucalipto, desenvolvida há 30 anos pela empresa, uma estratégia "ecologicamente correta", por não utilizar árvores nativas como matéria-prima. É a primeira empresa no mundo que usa o "lyptus" em escala industrial.
A madeira extraída árvore equivale, em qualidade, às espécies nativas "ipê", "cerejeira" e outras nobres, que estão desaparecendo no Brasil em função do desmatamento indiscriminado. São cerca de 15 mil hectares plantados de "lyptus" que garante um estoque ilimitado de materia-prima à fábrica.
O presidente da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar, explicou que os móveis, peças de acabamento para construção civil (como pisos) e outros produtos fabricados com a madeira do "lyptus" já foram mostrados a indústrias moveleiras da Europa, que se interessaram muito pelo produto. "O grande diferencial para as fábricas de móveis é que daremos a garantia de fornecer a madeira pelo tempo que eles quiserem, pois nosso estoque é inesgotável", disse.
Segundo ele, o metro cúbico da madeira a ser produzido pela Aracruz de Nova Viçosa será oferecido na Europa ao preço máximo de US$ 650,00. No mercado interno, custará cerca de R$ 850,00.
O empreendimento gerará 390 empregos diretos e deve faturar, por ano, algo em torno de US$ 27 milhões. Além disso, está fomentando um pólo moveleiro no extremo sul da Bahia com a atração de dezenas de empresas de todo o País.
Incentivos - Aguiar explicou que o Grupo Aracruz (maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto de mercado) decidiu instalar o novo projeto na Bahia e não no Espírito Santo, onde fica a sede da empresa, por causa das facilidades e incentivos fiscais oferecidos pelo governo baiano.
"Desde que mostramos o projeto, o governo baiano fez tudo para apressar a implantação da fábrica", disse o empresário, informando que obras de infraestrutura realizadas no local da unidade de produção foram bancadas pelo governo baiano.
Linhas de crédito especiais da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) também ajudaram: a empresa ganhou isenção do Imposto de Renda por dez anos e pode direcionar recursos do IR de unidades instaladas em outros estados, para a fábrica baiana.

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