Araçatuba poderá sacrificar mais de 10 mil cães
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Antonio José do Carmo 
Araçatuba,SP, 10(AE) - As autoridades sanitárias deverão executar mais de 10 mil cães em Araçatuba, a 550 quilômetros da Capital, para tentar conter o surto de leishmaniose uma doença que é transmitida para o homem através do mosquito Lutzomyia longipalpis que se aloja e procria em resíduos orgânicos. Nos últimos 12 meses foram confirmados 530 casos da leishmaniose em cães e um caso em humano. Os animais foram mortos e a pessoa doente conseguiu ser tratada a tempo e já recebeu alta médica.
O chefe da Vigilância Epidemiológica Municipal, José Roberto Borgue, disse hoje que pretende concluir até o fim do ano, as coletas de sangue em cerca de 50 mil cães da cidade. Para isso conta com 5 equipes de duplas que diariamente coletam até 120 amostras de material para a análise. Mas até agora, quatro meses depois de iniciado o trabalho, menos de 2 mil cães foram diagnosticados. O Instituto Adolfo Lutz que realiza os exames, está demorando até dois meses para dar o resultado. Só depois é que os técnicos retornam aos endereços, sacrificando os animais com soro positivo.
Até os testes humanos são demorados. Faz mais de um mês a Secretaria Municipal de Saúde coletou sangue de 642 pessoas que residiam nas proximidades de onde surgiu a primeira vítima da doença, mas até ontem ninguém sabia do resultado. Borgue disse que a lentidão está ocorrendo porque o laboratório está com excesso de pedidos de exames. A doença segundo ele aparece no homem em dois meses ou até um ano depois da contaminação. Entre os sintomas estão emagrecimento, queda de cabelos, inchaço do fígado e baço, febres altas. Nos cães, feridas e emagrecimento.
O mosquito transmissor também é novo na zona urbana. Segundo os biólogos ele foi expulso do campo por causa dos desmatamentos. Popularmente chamado de "birigui", ele está presente em todos os pontos urbanos de Araçatuba, detectados em armadilhas montadas pela Superintedência do Controle de Endemias- Sucen. Ainda não há qualquer programa de combate ao mosquito transmissor.


