A comunidade árabe de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina) protestou ontem contra a criação do Estado de Israel, em 15 de maio de 1948. Cerca de 200 estrangeiros e descendentes fizeram uma caminhada silenciosa pelo centro de Foz durante quase uma hora, apesar da chuva que caiu à tarde.
Os árabes, todos homens, percorreram a Avenida Brasil, expondo dezenas de faixas e cartazes com mensagens de repúdio ao dia em que a Palestina foi ‘‘usurpada de seus donos e se transformou em território dos judeus’’. Durante o percurso, de um quilômetro, os manifestantes distribuiram um panfleto de repúdio às guerras na faixa de Gaza e na Cisjordânia, na Palestina, principais pontos de conflitos.
A caminhada, batizada de Mobilização do Dia da Vergonha, denunciou ainda os massacres promovidos pelos isralenses contra os palestinos no Oriente Médio. Ela terminou na Câmara Municipal de Foz onde pelo menos quatro vereadores discursaram a favor dos manifestantes. Líderes sindicais e de classe também apoiaram a manifestação.
O empresário Mohamed Ismail, filho de libaneses, nascido no Brasil, disse que a intenção dos árabes da fronteira é despertar a opinião pública para a gravidade dos conflitos que acontecem no Oriente Médio. ‘‘Não podemos fechar os olhos e admitir um massacre como este em pleno século 21’’, afirmou o empresário. Ele destacou a importância do ato que reuniu integrantes da segunda maior colônia árabe do Brasil (a primeira é a de São Paulo), com 10 mil pessoas.
‘‘Pelo menos 500 palestinos foram mortos, 25 mil feridos e mais de cinco mil presos torturados desde o levante palestino contra a ocupação isralense, em setembro de 2000’’, descreve o documento distribuído a população. ‘‘De um lado, um exército superequipado, do outro, um povo munido de pedras e paus. A diferença está na determinação da cada lado’’, denuncia o texto que defende os árabes.
A criação de Israel foi determinada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1947. Os árabes sempre foram contra a divisão das terras no Oriente Médio. Eles reivindicam o reconhecimento de seu estado independente, mas Israel se nega a ceder. O impasse tem gerado guerras por décadas.

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