Ar-condicionado - Os males que vêm pelos tubos
Ar-condicionado - Os males que vêm pelos tubos
O problema não é
o ar-condicionado,
mas a falta de
uma boa limpeza
Quando o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, morreu, falaram logo nos males do ar-condicionado. Motta, no entanto, estava doente há tempos, e o ar foi apenas um agente da passagem de microorganismos que já encontraram um organismo debilitado. O tecnólogo industrial Júlio Leon Soto, especialista em ar-condicionado e ventilação, admite que realmente existe o risco de males causados ou agravados pelo ar-condicionado, mas assegura que eles podem ser evitados, fazendo-se a manutenção correta do equipamento.
Nesse caso, limpeza é fundamental. Equipamento sujo deixa passar bactérias, fungos e outros microelementos que podem ser nocivos ao ser humano. Leon Soto ressalva que esses elementos não são próprios do ar-condicionado: O problema é que estão confundindo instalação hospitalar com instalação para residências e escritórios. São instalações totalmente diferentes.
EsclarecendoReunido com membros do Comitê da Qualidade, tecnólogo Júlio Leon Soto explica como funciona o ar-condicionadoMaior riscoNum ambulatório, num hospital, a pessoa já chega doente. Nesses lugares estão muitas pessoas com muitas doenças. Então, a possibilidade do ar-condicionado puxar bactérias e fungos é maior. Mas - observa Leon Soto -, em qualquer ambiente fechado prolifera fungo, bactéria. Para ele, o problema maior é a limpeza do equipamento.
Para hospitais é preciso ter cuidado especial. Se o ar-condicionado for mal dimensionado, pode levantar poeira e fungos. Numa instalação hospitalar o sistema pega 100% do ar fora do hospital. Leon Soto explica qeu esse ar é filtrado com diferentes tipos de filtros. Depois é tirada a umidade; o ar é refrigerado e jogado no ambiente (interno), já condicionado. O ar do ambiente hospitalar é retirado dali, filtrado novamente e devolvido ao ambiente externo. Ele é devolvido filtrado, para não sair contaminado. Nem é reaproveitado no mesmo ambiente. Este é um sistema de alto custo, que evita seu uso em residências e escritórios.
Ambiente úmido e escuro (como dentro de um forro onde exista vazamento) é o habitat dos fungosA filtragem é feita por filtros grossos, que retêm partículas grandes; outro detém aerosóis; outro, fungicidas. Depois o ar é desumidificado, antes de ser refrigerado. Esses filtros todos têm uma desvantagem: são descartáveis, o que aumenta o custo de manutenção. A distribuição de ar também é diferente. Em sala de cirurgia, por exemplo, tem paciente de peito aberto, não se pode jogar ar direto ali. Em todos os casos, o ambiente também precisa ser limpo.
Para confortoAs instalações da Folha são produzidas no Brasil conforme as normas NB-10 sobre instalações centrais de ar-condicionado para conforto. Existem normas também para sistemas industriais. Como é uma norma que não abrange tudo, usa-se também a Ashare, norma americana. Essas normas distinguem as instalações hospitalares dos equipamentos residenciais.
Aparelho de ar-condicionado produz ar refrigerado e ar de retorno, que é o mesmo ar que volta para o equipamento e vai ser refrigerado, para evitar um equipamento de alta capacidade e alto preço. O ambiente a ser refrigerado está com temperatura de 28º, por exemplo; cai para 22º, temperatura em que retorna para o refrigerador. Então, explica Soto, o equipamento pode ser menor.
A norma NB-10 diz que, num ambiente fechado, deve ter uma porcentagem de ar de renovação. A porcentagem de ar renovado é definida pelo tamanho do ambiente e número de pessoas no ambiente. Soto dá um exemplo: Você tem que pegar 80% de refrigerado e 20% de ar novo, o que ocasiona uam renovação dentro do recinto. Se não tem aquela renovação, podem aparecer fungos, etc. Infelizmente, negligencia-se a renovação de ar. Não pode ser assim. Na Folha são obedecidas as normas.
Lugar propícioO técnico lembra que dentro do ar-condicioando tem o evaporador, uma peça que tem frio, umidade e escuridão - um lugar propício para fungos e microorganismos diversos. Quando o aparelho puxa o ar, aspira poeira, microorganismos, que ficam na água (a água que se vê pingando para fora dos aparelhos). Uma parcela da água fica dentro do evaporador, que precisa ser limpo todo mês, toda semana de preferência.
Aquela água é proveniente da condensação do ar. Por isto é da maior importância a limpeza, tanto do ambiente em que se trabalha, como do ar-condicionado. O maior problema, na opinião de Júlio Soto, é a limpeza do equipamento e do ambiente que está sendo climatizado. Não adianta apenas colocar filtros, se não houver limpeza, ele adverte.
Quando se decide instalar ar-condicionado em um lugar, deve-se preocupar em colocar o equipamento em um local de fácil acesso para a manutenção. Não é só um problema do ar-condicionado, é um projeto. Em um aparelho colocado na janela ou na parede, não se pode fazer manutenção correta. Pode-se apenas tirar o filtro, mas não se tem condições de lavar a bandeja, porque seria preciso desmontá-la. Seria preciso tirar a bandeja pelo menos uma vez por ano. O próprio fabricante já recomenda isto.
Limpeza na FolhaJúlio Leon Soto diz que na Folha a máquina central é jateada com água e detergente, uma vez por mês. Limpa-se a bandeja e se lavam os filtros. Os aparelhos de janela têm que ser tirados do ambiente e desmontado, para se poder lavar a bandeja e todos seus componentes. Mas - informa o técnico - é uma manutenção que só dá para fazer a cada seis meses-um ano. Mensalmente, o que se faz num aparelho pequeno é lavar o filtro. O filtro pega partículas de até 5 micras (tamanho das partículas do ambiente), e se não for limpo deixa entrar poeira.
Isto não elimina 100% da poluição, mas já vivemos em um ambiente poluído. O ar que nós respiramos é uma mistura de ar, água, fungos provenientes de animais - nós mesmos, comenta Soto. E pessoas de sistema imunológico fraco podem ser atacadas pelos fungos que entram em pequena quantidade no ambiente.





