Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o aquecimento do planeta deve levar a uma ampliação das zonas do planeta com a presença do mosquito Aedes aegypti, responsável por ser o vetor de doenças como zika e dengue. A análise foi apresentada ontem pela diretora-geral da entidade, Margaret Chan, em um debate na Organização das Nações Unidas (ONU).
"Mais da metade da população mundial vive em áreas onde os mosquitos Aedes aegypti, o principal vetor de zika, dengue e chikungunya, estão presentes", disse. "A elevação de temperaturas ameaça expandir esse espaço geográfico ainda mais." Na quarta-feira, um grupo de pesquisadores brasileiros apresentou, em Brasília, o estudo "Riscos de Mudanças Climáticas no Brasil e Limites à Adaptação", em que também abordam a situação do Aedes.
Para ela, em termos de saúde pública, as mudanças climáticas podem ser "a questão decisiva" no século 21. "Os humanos são, sem dúvida, a espécie mais ameaçada pelas mudanças climáticas", insistiu Margaret.
Segundo a diretora, a OMS estima que 7 milhões de mortes acontecem a cada ano por conta da poluição do ar. A elevação das temperaturas só deve incrementar esse problema. "O ano de 2015 já foi o mais quente da história e, em 2016, devemos bater o recorde de novo", disse.
Na avaliação dela, as "mudanças climáticas deram para a dengue uma expansão de sua área geográfica". "E agora pode acontecer o mesmo com a malária. Especialistas apontam que, até 2050, as mudanças climáticas podem causar 250 mil mortes adicionais por ano, além de malária, diarreia, ondas de calor e má nutrição", apontou.

mockup