Aquecimento global reduz produtividade na agricultura
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Lúcia Monteiro 
São Paulo, 16 (AE) - A produção agrícola brasileira está sofrendo os efeitos da elevação das temperaturas mundiais, intensificada nos últimos 40 anos. Pedro Dias, pesquisador do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da Universidade de São Paulo, afirma que houve uma elevação de 0,5 grau Celsius na última década. Em algumas regiões do Estado de São Paulo, essa elevação atingiu 2 graus, segundo Dias.
O aquecimento é provocado tanto pela evolução dos ciclos naturais do Oceano Atlântico, cuja superfície tem temperaturas em elevação no litoral paulista, como por fatores provocados pelo homem, como o efeito estufa, a remoção de florestas, o crescimento urbano e as queimadas.
Otávio Siqueira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuára (Embrapa) Clima Temperado, de Pelotas (RS), afirma que essa elevação de temperatura tem consequências negativas para a produção agrícola brasileira, especialmente de grãos e de cana-de-açúcar. Siqueira explica que o calor acelera a atividade biológica das plantas e seres vivos, encurta o ciclo de maturação, gerando uma menor produção de biomassa, ou seja, reduz a produtividade.
Siqueira comprovou a redução de produtividade no caso do milho, do trigo e da cana-de-açúcar.Os impactos do clima na agricultura brasileira estão sendo discutidos na Embrapa, de Campinas, no workshop "Mudanças Climáticas Globais e a Agropecuária Brasileira".
Insetos - Siqueira acredita que a elevação de temperatura deve provocar o crescimento das populações de insetos e pragas, também por causa de sua atividade biológica. Siqueira afirma que esse fenômeno vai intensificar a seca na região do semi-árido, principalmente no inverno, o que teria impacto sócio-econômico, acelerando o êxodo rural.
Apesar de poucas, as consequências positivas do efeito estufa para a agricultura existem, afirma Siqueira. Ele informa que a soja respondeu positivamente ao aumento na quantidade de gás carbônico, por causa da maior eficácia na fotossíntese, elevando a produtividade.
Chuvas - Os estudos de Pedro Dias, do IAG, mostram também que o volume de chuvas tem aumentado nos últimos 30 anos na região Sudeste do Brasil e também no Nordeste da Argentina.
Otávio Siqueira explica que a tendência mundial é de aumento no volume de chuvas nas regiões costeiras e diminuição nas regiões continentais. Ele defende, por isso, uma modificação na infra-estrutura de irrigação, de abastecimento de água das cidades, de contenção de cheias, por exemplo, para lidar melhor com essa tendência de temperaturas em elevação e modificação no volume de chuvas.


