São Paulo - A Terra pode enfrentar uma realidade e uma configuração completamente novas em cem anos, caso previsões de cientistas se confirmarem e o planeta esquentar ainda mais. Na verdade, apenas 3 C.
Um estudo publicado nesta semana na revista ''Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)'', dos Estados Unidos, faz algumas projeções do que a humanidade enfrentará ao longo deste século e do próximo. Segundo os pesquisadores, todos da Grã-Bretanha, se a temperatura média global subir mais 3 C, florestas desaparecerão, queimadas se tornarão mais frequentes e algumas regiões estarão mais sensíveis a secas ou inundações.
A Amazônia e as latitudes altas são as mais vulneráveis. A floresta tropical abrirá espaço para o cerrado, em um processo de savanização, mais suscetível a secas e queimadas. A floresta boreal, nas regiões árticas, pode sumir totalmente. Uma vez instalado o cenário, lá para 2100, os riscos continuam a aumentar mesmo se a composição atmosférica se mantiver constante pelo século seguinte.
O trabalho segue a mesma linha analisada pelo climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Atmosféricas (Inpe). Ele também indica que o aquecimento global pode levar ao que chama de savanização da Amazônia. ''Este trabalho é consistente com os resultados que obtive. Todos os dados científicos começam a seguir a mesma direção, a mesma projeção'', diz.
Pode causar estranhamento levar em consideração cenários tão distantes. Afinal, eles não passam de projeções com base em dados jogados em programas de computador. Porém, governos trabalham cada vez mais com projeções como essa para evitar o pior.
A temperatura média global atual é de 14,6 C. Ela tem crescido rapidamente graças ao aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera, emitido em atividades humanas como queima de petróleo e carvão e desmatamento de florestas tropicais, como a Amazônia.
O último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), grupo internacional de especialistas ligado às Nações Unidas, indica que a temperatura média global será de 1,4 C a 5,8 C maior em 2100. O próximo relatório, a ser divulgado no ano que vem, corrige para de 2 C a 4,5 C.

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