Genebra - ‘‘O aquecimento da Terra, visível em toda parte no Himalaia, representa muito perigo para a população’’, afirmou ontem um grupo de alpinistas. Eles retornavam de uma missão de observação no Nepal por conta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE).
Por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado ontem em todo o mundo, um dos chefes da expedição, o britânico Roger Payne, assegurou ter visto ‘‘provas concretas da diminuição das geleiras’’.
‘‘Não há dúvidas de que o clima naquela cadeia montanhosa tenha se tornado mais quente e úmido. Em todos os lugares onde estivemos, todas as pessoas com quem falamos confirmaram esse aquecimento, uma umidade maior e menos neve no inverno’’, declarou durante uma entrevista à imprensa Payne, responsável também pela União internacional de Associações de Alpinismo (UIAA).
Os sete alpinistas da missão, financiada pela PNUE, escalaram o Island Peak (6.189 metros), um pico localizado ao sul do Everest, chamada assim porque antigamente se parecia com uma ilha em um mar de gelo com rachaduras.
Hoje, com o derretimento das geleiras as rachaduras se transformaram em lagos de dois quilômetros de comprimento, meio de largura e cerca de 100 metros de profundidade.
Em abril passado, um estudo científico realizado pela PNUE e o Centro Internacional de Recuperação Integrada das Montanhas (ICIMOD) revelou que 44 lagos glaciais do Himalaia – 20 no Nepal e 24 no Butão – poderiam transbordar nos próximos cinco ou dez anos, inundando os vales e ameaçando a vida de milhares de pessoas ao longo de centenas de quilômetros.

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