Apuração de votos continua lenta na Indonésia
Jacarta, 10 (AE-AP) - A polícia indonésia tentou prevenir hoje (10) possíveis conflitos em alguns locais de Jacarta onde estão sendo contados os votos das eleições de segunda-feira, ao mesmo tempo em que aumenta a preocupação dos partidos de oposição sobre possíveis fraudes nos trabalhos de apuração.
Funcionários das mesas apuradoras negaram qualquer irregularidade e disseram que eles ficaram "atolados" com os cerca 113 milhões de votos depositados em urnas instaladas nas 13.000 ilhas do arquipélago durante as eleição parlamentares, as primeira em mais de 40 anos.
Mas Rudini, chefe da Comissão de Eleições Geral, afirmou que autoridades locais tinham sido autorizadas a recontar os votos em algumas províncias onde havia reclamações sobre irregularidades.
Pela tarde de hoje, resultados não oficiais indicavam a contagem de 14,3% dos votos, uma fração do que havia sido prometido para esse período.
O Partido Democrático Indonésio para a Luta, encabeçado pela opositora Megawati Sukarnoputri, mantém a liderança com 35,2% voto.
O Partido Golkar (governante), que afundou nas pesquisas de boca de urna, vem em segundo lugar com 20,9%. O Partido do Despertar Nacional de Abdurrahman Wahid, líder do maior grupo islâmico da Indonésia, aparece em terceiro com 12,1%.
No total, 48 partidos apresentaram candidatos nas eleições.
Alguns partidos rivais temem possíveis fraudes. Observadores internacionais, incluindo o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, acreditam que a demora prolongada na apuração dos votos poderia apagar a confiança pública na nova democracia indonésia.
As redes de televisão veicularam anúncios do governo tentando explicar as razões para tanto atraso.
Ao mesmo tempo, a polícia está tentando conter os ânimos, enviando forças de segurança para locais onde os votos estão sendo tabulados, como o círculo de tráfico central, a sede de Comissão Geral das Eleições e o Hotel Aryaduta,
Rudini culpou a demora por causa do trabalho lento e meticuloso dos funcionários que processam as cédulas em dezenas de milhares de aldeias. Segundo ele, já não há mais previsão sobre quando as apurações serão finalizadas.
Rudini disse que os atrasos eram inevitáveis porque as eleições foram preparadas em apenas três meses, comparados com os três anos no passado.





