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Londrina

TRANSPORTE COLETIVO 5m de leitura Atualizado em 10/01/2022, 19:00

Apucarana e Araucária serviram de modelo para a redução da tarifa

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Vitor Ogawa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Não é só Londrina que adotou a política de redução da tarifa de transporte coletivo. Apucarana (Centro-Norte) e Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) são dois dos municípios do Paraná que adotaram a política de reduzir o valor das passagens de ônibus para incentivar o uso do transporte público.

Com a diminuição do valor da passagem a tendência houve 10% de aumento de passageiros ao mês em Apucarana.
Com a diminuição do valor da passagem a tendência houve 10% de aumento de passageiros ao mês em Apucarana. |  Foto: Edson Denobi (Val)/Prefeitura de Apucarana
 

O secretário municipal de Planejamento de Apucarana, Carlos Mendes, ressaltou que o transporte público da cidade sofreu uma grande debandada a partir de março de 2020. “A gente tinha 16 mil passageiros antes da pandemia e esse número chegou a cair para 7 mil ou 8 mil usuários. A gente fez o subsídio da passagem para diminuir o valor para a população, que vem sofrendo com a queda do emprego e do salário e, consequentemente, há a queda de renda. Com o subsídio o usuário economizou e ele foi retornando aos patamares normais. A gente espera que agora, em 2022, a gente retorne ao número de passageiros que era o número habitual”, ressaltou. O número de usuários está em 12 mil, ainda abaixo do patamar pré-pandemia. 

O subsídio está previsto para vigorar até o fim de dezembro deste ano. “Nós vamos ter que ver como os usuários vão se comportar, até porque tem essa variante nova da Covid-19, a ômicron. Vamos ter que analisar”, afirmou. Ele ressaltou que a redução da tarifa é uma estratégia que funciona. “Como você ajuda a população com a diminuição do valor da tarifa, é possível colocar mais gente dentro do transporte público. O ideal seria se o governo federal realmente entrasse com aquela opção de pagar o valor da passagem do idoso, que é um projeto que estão discutindo em Brasília. Isso faria o transporte público ter um fôlego no Brasil inteiro”, apontou. 

Mendes ressaltou que o resultado da diminuição do preço da passagem não é uma coisa que reflita do dia para noite com o aumento de usuários. “Mas quando você diminui o valor da passagem a tendência é você ter 10% de aumento de passageiros ao mês”, observou. Para a concessionária VAL (Viação Apucarana Ltda), a redução não altera nada. A empresa continua recebendo R$ 3,60 por cada tarifa,  composto por R$ 3,00 pagos pelo usuário e R$ 0,60 arcados pela prefeitura por meio de recursos do caixa próprio. 

O secretário ressaltou que a cidade vem crescendo, o que contribui para a adoção da política. “Para chegar ao número de usuários que tínhamos antes contamos com o retorno das aulas em escolas e universidades, tanto públicas como privadas. Com o retorno das aulas presenciais a gente já consegue retomar quase o mesmo patamar de antes. Ficaria apenas uma diferença de mil a 1,5 mil usuários."

ARAUCÁRIA

Em 2017, Araucária contava com 32 mil usuários de ônibus e já naquele ano o sistema vinha perdendo 10% de seus passageiros ao ano. Diante desse quadro, a administração municipal passou a adotar várias políticas para incentivar o uso do transporte público, como a gratuidade para estudantes de instituições públicas (educação infantil ao ensino médio); isenção para crianças e adolescentes que participam de programas da Secretaria Municipal de Assistência Social; tarifa gratuita aos domingos para todos os usuários com cartão de transporte (cartão Triar), e isenção para acompanhante de pessoa com deficiência. No ano seguinte, os usuários do cartão Triar receberam o benefício da redução de R$ 4,25 para R$ 2,90; e os agentes comunitários de saúde e os pais que levam estudantes (até 12 anos) para a escola/CMEI receberam o benefício da isenção da tarifa. 

Em 2019 foi adotada a isenção para alunos de cursos e oficinas da Secretaria de Cultura e Turismo e houve mais reduções da tarifa para os usuários do cartão Triar, de R$2,90 para R$ 2,65 e depois para R$ 2,40. Em 2020 foi adotada a isenção para pessoas em situação de vulnerabilidade social comprovada e no ano passado, com a pandemia, houve mais três reduções: de R$ 2,40 para R$ 2,20; de R$ 2,20 para R$ 1,95, e de R$ 1,95 para R$ 1,70. Neste mês 100% da frota do transporte coletivo local foi substituída por veículos novos. “Com a redução do valor e a retomada da economia o usuário veio junto com o transporte coletivo e nós registramos na semana passada 50 mil passagens diárias”, destacou o secretário de Planejamento de Araucária, Samuel Almeida Silva.

A prefeitura decidiu fechar a autarquia que cuidava do transporte coletivo, que tinha 30 funcionários, e dividiu a concessão que ficava a cargo de uma empresa que operava sozinha na cidade havia 40 anos. “Dividimos essa concessão em três lotes  e a empresa que operava aqui ficou em sexto lugar na classificação de preços. Hoje estamos com três empresas diferentes atuando na cidade”, expôs. A prefeitura passou a ter controle total da planilha de custos. “Antes era a empresa quem repassava a tabela de custos e, depois que assumimos o controle, o custo por quilômetro rodado caiu de R$ 10,30 para R$ 7,12.”  

Silva reforçou que a redução da tarifa não implica em queda da qualidade. “Nós temos 94 ônibus adquiridos em 2021. É a frota mais nova do Brasil. Temos Wi-Fi grátis, os ônibus possuem carregador de celular e temos uma integração ponto a ponto , em que é possível trocar de linhas sem pagar outra passagem no período de uma hora”, destacou. 

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