Aproximação com a UE não prejudica Alca, diz FHC
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sábado, 26 de junho de 1999
Por Isabel Braga, especial para a AE 
Rio, 27 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que a aproximação do Mercosul com a União Européia não prejudicará os entendimentos para a criação da área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Nada do que é feito aqui é em detrimento de outros compromissos que os nossos países têm na questão hemisférica, notadamente na Alca", disse o presidente, depois de almoçar com o primeiro-ministro alemão, Gerhard Schreder, e o presidente do México, Ernesto Zedillo, na residência oficial da Gávea Pequena.
"Não se trata de uma relação com a Europa em detrimento de uma relação com os países que estão ligados ao Nafta", insistiu. Em breve pronunciamento após o almoço, Fernando Henrique destacou o aspecto político do encontro econômico que reúne 49 chefes de Estado e de governo dos países europeus, latino-americanos e caribenhos no Rio. "Nós temos que participar mais ativamente, no novo milênio, da reorganização das esferas de decisão e de poder no mundo", argumentou , explicando que a participação "alcança tanto o que se chama a nova arquitetura financeira mundial, como os mecanismos de segurança e de paz".
Falando como porta-voz dos países em desenvolvimento, Fernando Henrique alertou que a América Latina "deseja participar mais ativamente do processo de reorganização da ordem mundial". Essa também seria, de acordo com o presidente, uma avaliação de países da Europa . Ele lembrou que a idéia de um encontro entre América Latina e União Européia foi lançada pelo presidente da França, Jacques Chirac, e encampada em seguida pelo presidente da Espanha, Jose María-Aznar.
Comércio - Segundo o presidente, as negociações na reunião de Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia estão ocorrendo em um "ambiente de muito entendimento". Como exemplo de que as negociações não serão obstáculos a entendimentos para a Alca, Fernando Henrique destacou a presença do presidente mexicano no almoço. "O presidente do México estava aqui e participa ativamente do Nafta", disse.
"Vamos discutir tudo como um só bloco, não vamos excluir nenhum tema da discussão, quando ela for de natureza comercial e econômica, tanto agrícola, quanto de serviços, quanto temas industriais serão discutidos em conjunto", disse o presidente. O objetivo do Rio, afirmou, é buscar um "consenso global" e não "uma questão fatiada, porque aí poderia haver grupos de pressão que dificultassem o atendimento das aspirações legítimas dos países em desenvolvimento".
Após o almoço com Schreder e Zedillo, Fernando Henrique manteve um encontro de trabalho com o presidente da França, Jacques Chirac. A França é o país que mais resiste à criação de uma área de livre comércio entre União Européia e Mercosul, com a inclusão de produtos agrícolas.
Espanha - O presidente anunciou que deve haver nova reunião entre europeus e latino-americanos, na Espanha. De acordo com o presidente, os ministros de Relações Exteriores e de pastas ligadas à área econômica dos países continuarão os entendimentos. "De tal maneira que na rodada do milênio em Seatle (EUA), no fim desse ano, possamos levar adiante algumas idéias sobre a liberalização dos fluxos de comércio." Fernando Henrique também salientou a presença maciça dos chefes de Estado e de governo no encontro, que estava sendo considerado esvaziado até que a Comunidade Européia sinalizou positivamente para o lançamento das bases para a criação de uma área de livre comércio entre Mercosul e União Européia em julho de 2001.
Fuentes - Os contatos entre Fernando Henrique e os chefes de Estado que estão no Rio foram intensos hoje. Além de almoçar com Zedillo e Schreder, depois do encontro de trabalho, ele e Chirac percorreram à pé algumas ruas do centro do Rio para participar de solenidade em homenagem ao escritor Carlos Fuentes. O presidente também inaugurou uma exposição sobre os 500 anos do Brasil no Museu Nacional de Belas Artes, onde manteve encontro de trabalho com o primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema.


