Aproverde distribui 50 mil litros de álcool em Ribeirão Preto
Ribeirão Preto, SP, 28 (AE) - Cerca de 50 mil litros de álcool - o suficiente para abastecer 20 mil veículos - foram distribuídos aos motoristas durante o dia e parte da noite de hoje em Ribeirão Preto. A iniciativa foi da Associação Pró-Frota Verde (Aproverde), em protesto contra a política do governo em relação ao setor sucroalcooleiro, que enfrenta grave crise, e pela falta de perspectivas das indústrias automobilísticas produzirem carros a álcool. Uma manifestação está preparada para ocorrer em São Paulo e pensa-se em marcar novos protestos em outras cidades.
A fila de veículos foi fechada às 17h e chegou a 8 km de extensão às 15h30. A previsão da Aproverde era de encerrar a distribuição após a meia-noite. O pelotão de trânsito da cidade precisou coordenar o tráfego para evitar engarrafamentos. Caminhões da Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho, equipados com bombas de combustível, foram descarregados em pouco tempo. Amanhã, a partir das 9h, outra distribuição está marcada para a Avenida Antonio Paschoal, em Sertãozinho.
"Com o descaso das autoridades em relação ao setor, é melhor darmos o álcool de graça para beneficiar os consumidores", disse, em nota distribuída à imprensa, a diretora da Aproverde, Rose Ortolan. Seu argumento está baseado no valor do litro de álcool vendido por usinas e destilarias às distribuidoras, que está entre R$ 0,15 e R$ 0,17, enquanto o custo de produção é de R$ 0,30.
A distribuição de álcool tinha começado na segunda-feira
em frente ao recinto onde está sendo realizado a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia em Ação), mas a Polícia Rodoviária e a Vianorte, concessionária de rodovias no Estado de São Paulo, solicitaram a interrupção do abastecimento, alegando que o movimento colocaria os visitantes da feira em risco. Então
a Prefeitura de Ribeirão Preto autorizou a distribuição numa das principais avenidas, a Francisco Junqueira, próximo ao Estádio Santa Cruz, que pertence ao Botafogo.
A Aproverde, uma Organização Não-Governamental (ONG) criada há seis meses em Sertãozinho para incentivar a utilização de carros a álcool, defender o meio ambiente e garantir o emprego no setor, quer mais rapidez do governo em relação às reivindicações dos usineiros. A ONG tem 3.500 pessoas cadastradas na região de Sertãozinho para comprar carros a álcool, mas não existem unidades nas revendedoras.
A idéia dos usineiros, fornecedores de cana e trabalhadores rurais é continuar protestando. Para o dia 10 de maio, com o auxílio dos metalúrgicos do ABC, eles pretendem parar a avenida mais famosa de São Paulo, a Paulista, movimentando cerca de 20 mil pessoas e também distribuindo álcool gratuitamente à população.
A Santa Elisa e a Aproverde têm o mesmo presidente, Maurílio Biagi Filho. A usina é a maior do Brasil, produzindo, na safra passada, 340 milhões de litros de álcool e 8,5 milhões de sacas de 50 kg de açúcar - o objetivo é repetir a mesma produção neste ano. O setor sucroalcooleiro perdeu 100 mil empregos em relação à safra de 1997.
Os usineiros reivindicam a adição imediata de 3% de álcool no diesel e a substituição do MTBE pelo álcool na gasolina no Rio Grande do Sul, o que poderá dar um novo incentivo ao consumo do produto no País. Eles propõem, ainda, que o governo compre o estoque excedente do álcool (1,5 bilhão de litros da safra passada) para regular o preço no mercado.





