Verão e férias são um ótimo convite para cair (literalmente) na piscina ou no mar. Mas são necessários alguns cuidados para que a diversão não se torne um problema. Neste período a pele fica mais suscetível às queimaduras solares e às micoses. E sempre é bom lembrar que a areia e a água do mar e da piscina são meios propícios para a transmissão de doenças.
O dermatologista Andrei Nonino, de Londrina, explica que a micose nada mais é que uma doença de pele causada por fungos. Ela é muito comum nessa época do ano por causa do calor e da umidade, que formam um ambiente propício para a proliferação de fungos.
''Os fungos se alimentam da queratina, que é encontrada na superfície cutânea, unhas e cabelos. Quando eles encontram condições favoráveis para se desenvolver, como calor, umidade, baixa imunidade ou uso de antibióticos por longo prazo, se reproduzem e causam a doença'', explica o dermatologista Roberto Tarlé, de Curitiba.
Medidas simples como enxugar-se bem após o banho, principalmente nas dobras da pele, não andar descalço em lugares úmidos e evitar calçados fechados ajudam, e muito, a combater as micoses. ''Não é à toa que os locais mais comuns onde as micoses aparecem são os mais úmidos e quentes do corpo: virilha e dedos dos pés'', explica Nonino. A micose entre os dedos é popularmente conhecida como frieira ou pé-de-atleta.
Nonino lembra ainda que as micoses são contagiosas, por isso é importante evitar o empréstimo de chinelos e roupas de banho. Segundo ele, as micoses de unha não têm incidência alta apenas no verão, mas em todo ano. Como a transmissão de micose de unha é menos frequente em piscinas, a principal medida de prevenção continua sendo ter o próprio kit, com cortadores de unha, alicates e lixas, para ir à manicure.
O tratamento das micoses nem sempre é fácil. Nonino explica que primeiro é preciso tentar identificar o fungo com exames e a partir disso iniciar o tratamento, que pode ser com medicação oral ou local, dependendo de indicação médica.
Uma dica, do dermatologista Dalton Kojima, de Curitiba, é evitar roupas quentes e justas. O calor e a transpiração excessiva podem obstruir as glândulas do suor, causando brotoeja (irritação na pele). Nas crianças, a brotoeja é ainda mais comum, já que elas não têm as glândulas do suor tão desenvolvidas. ''Prefira sempre tecidos leves como o algodão, principalmente para roupas íntimas'', aconselha Kojima.
Outra ''doença de praia'' muito conhecida é o bicho geográfico, causado por uma larva chamada migrans. O contágio acontece em praias onde a areia está contaminada com fezes de cães, gatos, ou mesmo humanas. O verme penetra na pele e faz um caminho, causando muita coceira e desconforto. ''Quem pega mais é criança, porque acaba tendo um contato maior com areia'', explica Nonino.
Para prevenir a doença o principal é não levar animais para a praia e evitar andar descalço em locais onde eles estão com frequência. Em casa, é preciso manter o local onde o bicho defeca sempre limpo, e na rua, sempre recolher as fezes do animal. ''O tratamento para o problema depende da gravidade: pode ser realizado por via oral com antiparasitário para os casos mais extensos ou com uso de medicação tópica nos casos mais brandos. É importante consultar sempre um dermatologista'', enfatiza Kojima.

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