Fortaleza, 05 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Ceará que apura possíveis irregularidades nas aplicações dos recursos do Fundef aprovou hoje a quebra do sigilo bancário de quatro das principais instituições que promoviam cursos de capacitação para as prefeituras. O deputado Mauro Benevides Filho (PPS) informou que "a CPI desconfia que donos dos cursos de capacitação, prefeitos e secretários de Educação tenham montado esquemas de triangulação, envolvendo recursos do Fundef".
"Vamos quebrar o sigilo bancário não apenas das instituições, como dos seus donos", afirmou o relator da CPI, Artur Bruno (PT). O primeiro passo deverá ser dado amanhã (06), quando o presidente da Assembléia, Wellington Landim, fará um pedido ao Tribunal de Justiça (TJ) para promover a quebra do sigilo bancário das seguintes instituições e respectivos donos: União Cearense das Associações de Ensino Superior (Unice) - dirigida por Fábio Luiz Tartuce; Instituto de Aperfeiçoamento do Magistério (IAM) e Fundação Escola de Gestão Pública (Fungesp) - por Baltazar Pereira da Silva Júnior; Capacity - por Péricles Barros Lessa, e Educare, por Michelle Martiniano de Almeida.
Estão sob suspeita de cometer irregularidades 98 das 184 prefeituras do Ceará, mas "nem todas podem ser colocadas no saco dos desonestos", disse Bruno, ao explicar que "existem erros primários de contabilidade, de gerenciamento, de incompetência mesmo, mas existem provas incontestáveis de malversação de dinheiros públicos, de roubo mesmo".
O relator apontou as prefeituras de Pacajus, Cascavel, Santa Quitéria e Itatira como "os casos mais contundentes de corrupção".
Em Pacajus, a 50 quilômetros de Fortaleza, o prefeito José Wilson Chaves é acusado de alugar caminhões por R$ 52 mil por mês, quando o mesmo veículo, novo, numa concessionária em Fortaleza, tem o preço estimado em R$ 58 mil.

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