Aprovada CPMF, Congresso cobra ação do governo contra a crise
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 11 (AE) - Os aliados do governo na Câmara não esperaram a conclusão da votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em dois turnos, para começar a cobrar da equipe econômica uma solução para a crise econômica. Depois de aprovar em primeiro turno a recrição da CPMF com uma alíquota de 0,38% sobre os cheques, considerada a medida mais importante do programa de ajuste fiscal que respaldou a ajuda financeira do FMI, os aliados querem uma resposta rápida do governo para a crítica situação do País.
"O Congresso Nacional, depois de aprovado o segundo turno da CPMF, terá concluído sua parte", afirmou o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE). "Compete agora à área econômica fazer a sua parte: procurar manter a estabilidade no País, abaixar o valor do dólar, controlar o câmbio e baixar os juros para estimular o emprego", cobrou ele. O líder ressaltou que, com a garantia da CPMF dada pelo Congresso, o governo poderá receber a primeira parcela do socorro financeiro do FMI, de R$ 9,3 bilhões, para dar andamento a projetos de desenvolvimento da economia nacional.
O aliado PMDB, que ameaçou votar contra a CPMF e acabou apoiando o governo, também enumerou cobranças à equipe econômica. "Tudo o que o governo pediu, o Congresso deu; a partir de agora é esperar resultados", alertou o vice-líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Para o deputado, cresce o sentimento de cobrança sobre o governo. "Todos queremos dias mais estáveis, é só lembrar que há dois meses o governo mudou por três vezes o presidente do Banco Central em apenas um mês", ressaltou ele. "O Congresso não vai deixar sua participação barata", emendou o líder do PT, deputado José Genoíno (SP).
Os governistas começaram a contar hoje o prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara de intervalo exigido para a votação da proposta em segundo turno. Para manter o calendário de votação e garantir que a CPMF seja aprovada em segundo turno na noite de quarta-feira que vem, os líderes começaram a mobilizar-se hoje mesmo. "Teremos uma intensa mobilização amanhã aqui, para não cometermos o mesmo erro da semana passada", afirmou Inocêncio, lembrando um dia perdido no calendário da CPMF porque os governistas não conseguiram manter o quórum mínimo de 51 deputados para abrir a sessão da Câmara.
O governo quer, com isso, manter a expectativa da área econômica de começar a cobrar a alíquota de 0,38% sobre os cheques a partir de 1º de julho. Os aliados avaliam que o segundo turno será mais tranquilo que as votações de terça e quarta-feira passadas, porque diminui as chances da oposição de criar obstáculos para a proposta.


