Aprovação requer um longo trajeto
Antes de chegar às prateleiras, todo medicamento passa por um longo trajeto. Instituições que planejam realizar pesquisas clínicas devem possuir um comitê de ética. Só no Brasil há 450 deles, sendo que cada um está envolvido em vários estudos concomitantes.
Perto de 90% de tais pesquisas são financiadas por laboratórios internacionais, que encontram aqui grande oferta de gente disposta a virar cobaia em troca de tratamento. Aprovado pelo comitê, o projeto passa pelo crivo da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.
Por último, a pesquisa é analisada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ''Verificamos a composição do produto. Se é fabricado com componentes de ruminantes e vem de um país onde existe a doença da vaca louca, não será aprovado'', exemplifica o gerente de pesquisa e medicamentos novos da Anvisa, Sérgio Nifhioka.
Tanto zelo tem explicação. Até 1996, antes da regulamentação da pesquisa no Brasil, experimentos cruéis foram feitos. Em Belo Horizonte (MG), médicos chegaram a induzir crianças a um ataque de asma e deram placebo a elas.
Greyce Lousana diz que participar de estudos é seguro, já que o produto é previamente testado em animais. Ela admite, porém, que falhas acontecem. ''É impossível dizer que não há risco de morte. Dois pacientes já morreram de crise hepática por conta de um novo remédio contra a aids. Por outro lado, só através de pesquisas clínicas foi possível criar o 'coquetel', um alívio para vários doentes'', diz. (A.E.)





