São Paulo, 16 (AE) - A aprovação do projeto de lei que determina o fechamento de bares da capital paulista à 1 hora seria uma estratégia da Prefeitura para desviar a atenção da imprensa e da população das investigações sobre a corrupção em órgãos públicos da cidade, segundo comentários na Câmara Municipal. Conforme alguns vereadores, até a data da sanção da legislação - 14 de julho - teria contribuído para abafar os escândalos da máfia dos fiscais, por causa do recesso parlamentar do Legislativo paulistano.
Até a forma como a aprovação da lei foi tratada surpreendeu os parlamentares. Um vereador governista, que pediu para não ser identificado, informou que recebeu dois telegramas iguais do prefeito Celso Pitta (sem partido) para comparecer ao evento da sanção da lei no Palácio das Indústrias. "Isso nunca aconteceu antes; não é praxe esse tipo de convocação", disse o parlamentar. "O prefeito Celso Pitta fez disso uma verdadeira festa para chamar a atenção da mídia e da população." Outros vereadores também afirmaram terem recebido o convite com uma certa estranheza.
Favor - Outro comentário polêmico corre entre os vereadores da Câmara Municipal. Para alguns parlamentares e assessores, o autor do projeto de lei, Jooji Hato, teria recebido um "prêmio" do prefeito com a aprovação do texto. O motivo da premiação seria o voto dado por Hato na comissão que avaliou o pedido de impeachment do prefeito em maio. O vereador mostrou-se contra o prosseguimento dos trabalhos.
Em junho do ano passado, um grupo de 12 vereadores "rebeldes" fez diversas exigências ao prefeito em troca da continuidade do apoio político. Em um dos pedidos Celso Pitta correria o risco de sofrer impeachment, caso não fosse posto em pauta o projeto de Hato, que tramitou na Casa durante três anos.

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