Apresentados sequestradores de Olivetto
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
Paulo San Martin Agência Estado 
São Paulo - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, apresentou ontem os seis sequestradores presos no caso do publicitário Washington Olivetto. Segundo ele, apenas um dos sequestradores foi seguramente identificado, o líder Maurício Hernandes Norambuena, 43 anos, procurado pela polícia chilena por atos terroristas e condenado à prisão perpétua em seu país.
O secretário informou, em entrevista coletiva, que a polícia paulista já está em contato com as autoridades chilenas para identificar os outros presos, que portavam identidades argentinas e, até o momento, não revelaram seus nomes reais. Os indícios são de que pelo menos mais um deles seja chileno.
Saulo de Castro confirmou que pelo menos mais dois sequestradores foragidos foram identificados e que a polícia está atrás deles.
O secretário informou ainda que a polícia de São Paulo trabalha com a hipótese de que pode chegar a oito o número de sequestradores foragidos. As investigações se concentram neste momento em identificar a origem do grupo e os vínculos entre seus membros.
Por enquanto, o crime está sendo tratado como comum, afirmou o secretário.
Godofredo Bittencourt Filho, diretor do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), disse trabalhar com o vínculo do grupo de sequestradores com atos terroristas, principalmente pelo histórico do líder da quadrilha. Ele disse que estabeleceu negociação com os sequestradores na tentativa de garantir que Olivetto saísse com vida do episódio de sequestro.
Segundo Bittencourt, por volta das 11 horas de sábado, o chefe dos sequestradores propôs um acordo, de que mandaria libertar Olivetto e que o publicitário sairia com vida se o diretor do Deic permitisse que Norambuena fizesse um telefonema.
A polícia rodou com o sequestrador na cidade de São Paulo e ele escolheu ao acaso um telefone público. Pediu para que parasse e, ali, fez o telefonema.
O sequestrador nos disse que não tinha contato direto com o cativeiro e que a organização do sequestro funcionava em células estanques, sem comunicação direta entre si, relatou Bittencourt.
De acordo com ele, o sequestrador afirmou que havia ligado para um integrante de uma dessas células e este, por sua vez, informara que, entre as 11 horas de sábado e a manhã de segunda-feira, entraria em contato com os responsáveis pelo cativeiro.
Por isso, ele nos disse que a libertação de Olivetto poderia ocorrer só na segunda-feira, explicou. Menos de 12 horas depois, no entanto, o cativeiro de Olivetto já havia sido descoberto e o publicitário libertado.
Nem o secretário de Segurança Pública, nem os policiais que participam das investigações confirmaram a suposta existência de brasileiros envolvidos com o sequestro. Não dizemos que não existam, mas até o momento não há nada que confirme, disse Giudice.
Em casa
São Paulo - O publicitário Washington Olivetto recebeu ontem dezenas de telegramas e diversos arranjos de flores de amigos. Recebeu, também, uma pomba dentro de uma gaiola, que soltou da sacada de seu apartamento nos Jardins, zona sul de São Paulo.
Um carro da PM está na região para garantir a segurança do publicitário e de seus familiares. Homero, filho de Olivetto, saiu do apartamento pela manhã escoltado por um carro da polícia.


