Apresentador preso pela 2ª vez
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O apresentador e ex-deputado estadual Ricardo Chab foi preso pela segunda vez, na noite de anteontem, em Curitiba. Agora, a acusação é de posse ilegal de armas. A polícia encontrou na casa do apresentador dois revólveres calibre 32, um deles norte-americana, e 88 cartuchos do mesmo calibre (50 deles de origem mexicana).
De acordo com a polícia, a apreensão foi resultado de uma investigação da Corregedoria da Polícia Civil sobre uma suposta armação feita por Chab e Licélia Rodrigues da Cruz, 31, para denegrir e prejudicar o delegado-chefe da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga (DEDC), Marcus Vinicius Michelotto. O policial foi quem conduziu e realizou a primeira prisão do ex-deputado, no dia 25 de abril, por suspeita de extorquir cerca de R$ 70 mil da empresa de segurança Centronic, pivô do caso da morte do estudante Bruno Coelho.
Chab deve ser interrogado pelo juiz da 8 Vara Criminal de Curitiba, Antonio Carlos Choma, na segunda-feira, sobre a suspeita no caso de extorsão. Choma decretou ontem a prisão preventiva do apresentador.
Licélia, pré-candidata a vereadora no município de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), segundo Michelotto, receberia apoio financeiro de R$ 200 mil para sua campanha, que seriam pagos por Chab. Em troca do dinheiro, a polícia disse que Licélia ligaria para pessoas influentes de Pinhais e o acusaria de envolvimento em crimes e supostos fatos, que prejudicariam a carreira do policial.
A susposta armação teria sido descoberta pela DEDC, quando investigava uma quadrilha de roubo de carga, da qual Licélia faria parte como negociadora dos produtos desviados. A quadrilha teria sido desarticulada anteontem e oito mandados de prisão cumpridos contra a quadrilha. Um dos mandados estaria em nome da pré-candidata.
''Hoje, a Polícia Civil e a Secretaria da Segurança têm um trabalho de inteligência muito grande que detectou essa articulação por parte do Ricardo Chab e de um grupo ligado a ele'', contou o delegado. Michelotto informou que investigava a quadrilha de roubo de carga há três meses e, no dia 12 de maio, pelo serviço de inteligência, tomou conhecimento que Licélia o acusava pelo telefone para várias pessoas.
O advogado de Chab, Haroldo Nater, informou que prefere conhecer o teor das acusações contra seu cliente para se pronunciar. Ele deve recorrer contra a prisão Chab.
Licélia já foi interrogada pela Corregedoria e afirmou à imprensa ter feito acordo com Chab para prejudicar o delegado. O delegado Michelotto contou que ela teria sido cabo eleitoral do apresentador, em sua última campanha, em 2002. Ela disse que já tinha entre dez e 15 conversas telefônicas gravadas com empresários e que Chab tentaria, segundo ela, prejudicar Michelotto por meio da imprensa. O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Pública (MP) estadual.
O advogado da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), Edson Abdala, informou que entrará com uma ação contra os envolvidos no caso.


