Curitiba - O ex-deputado estadual e jornalista Ricardo Chab e o advogado Antônio Neiva de Macedo Filho foram presos, em flagrante, na manhã de ontem, acusados de extorsão. Segundo a polícia, eles teriam exigido, inicialmente, R$ 150 mil do dono da empresa de segurança Centronic, Nilso Rodrigues de Godoes, para não divulgar notícias negativas, que envolveriam o nome da empresa. No momento da prisão, Macedo Filho estaria de posse dos R$ 35 mil, que teriam sido pagos, minutos antes, pelo empresário, como parte do ''acordo'', que teria sido fechado em R$ 70 mil. Outras supostas vítimas já começaram a denunciar outros casos de extorsão à polícia, que também teriam sido praticados por Chab e o advogado.
A Centronic foi pivô do caso Bruno Coelho -estudante de 19 anos, que teria sido morto, em outubro do ano passado, por seguranças da empresa. Chab apresenta o programa Na Hora do Almoço, na Rede Independência de Comunicação (RIC) e é dono da Rádio Mais, de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Macedo Filho foi advogado de um dos réus no caso Bruno, é advogado pessoal de Chab e participa de programa na rádio como consultor em Direito Penal.
Segundo o delegado da Estelionato e Desvio de Cargas, Marcus Vinicius Michelotto, a Centronic havia cedido à extorsão, em novembro de 2007, quando teria pago R$ 80 mil a Chab e Macedo. Com as novas investidas, o dono da empresa, que já havia feito gravações de conversas telefônicas que delatariam a extorsão, decidiu denunciar à polícia. ''(...) O valor que o Chab pediu, o inicial, aqueles R$ 100 mil, a gente só conseguiu 70, tá?(...)'', diz um dos trechos das gravações cedidas à imprensa pela Centronic, que seriam de uma conversa, por telefone, entre uma pessoa da empresa, que se identifica como Ademir, e Macedo Filho.
Com autorização da Justiça, a delegacia fez interceptações telefônicas. A entrega do dinheiro, ontem, foi filmada pelo empresário Nilso de Godoes, com uma câmera escondida. As notas entregues haviam sido registradas pela polícia.
O advogado de Chab, Haroldo Nater, disse que tudo é armação. O dinheiro seria referente a honorários que a Centronic devia a Macedo. ''Algumas pessoas querem calar a voz do jornalista. Isso é uma demonstração do quanto é pesada a mão do Estado quando quer fazer valer o seu poder'', atacou.
O advogado de Macedo Filho, Beno Brandão, disse que não teve acesso ao inquérito e que, por isso, não comentaria o caso. Afirmou, apenas, que pediu, ontem mesmo, a liberdade provisória de seu cliente.
Em nota, o Grupo RIC informou que também se surpreendeu com a prisão do apresentador Ricardo Chab. Deixou claro que o fato aconteceu na Rádio Mais e que ''repudia veementemente o ocorrido e espera a apuração rigorosa por parte das autoridades competentes''.

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