Curitiba- O canteiro de confecção de uniformes, na Prisão Provisória de Curitiba (PPC), mantém 24 internos em atividade, das 8h às 17h. Antes de colocar a ''mão na massa'', a unidade oferece um curso, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
As cerca de 2 mil peças produzidas, mensalmente, são distribuídas entre as unidades penais do Sistema Penitenciário do Paraná. Nas penitenciárias recém-inauguradas, como a de Ponta Grossa, o uso de uniforme pelos internos é uma prática adotada desde o início das atividades.
Para Luiz Carlos Costa Júnior, 39 anos, o aprendizado no canteiro de trabalho abriu as portas para seu futuro profissional. Antes de ser preso, há um ano e dois meses, trabalhava como fiscal do transporte coletivo, em Curitiba. Um mês depois de ingressar na PPC, já começou a trabalhar na confecção de uniformes e se identificou com a atividade. Costa Júnior. preferiu não falar sobre o motivo de sua prisão e nem quanto tempo é sua pena.
''O que eu aprendi aqui vai ajudar a me manter lá fora'', disse, otimista, Costa Júnior. ao contar que sua mulher já comprou maquinário para que os dois se dediquem ao ramo de confecções, assim que ele deixar o presídio.
Essa é a vontade, também, de Edson Carneiro Nascimento, 42 anos. Mas, seus planos são um pouco diferentes. ''Vou procurar emprego numa firma até juntar dinheiro para montar minha própria confecção'', revelou. E a expectativa é de conseguir uma colocação no mercado de trabalho em breve, já que cumpriu quase quatro anos de sua pena.
Nascimento contou que foi condenado por tráfico de drogas e que, antes disso, trabalhava como ajudante de frentista e guardador de carro. Além de ter aprendido uma profissão, pôde concluir o ensino fundamental e médio dentro da PPC. Quando ingressou, tinha cursado até à 5 série.
Claudinei Ortiz, 38 anos, também está prestes a deixar a penitenciária em liberdade condicional, pois já cumpriu dois terços da pena de 10 anos e cinco meses por envolvimento com drogas. Nesse tempo, passou por, pelo menos, três canteiros de trabalho com o que conseguiu quase um ano de remissão da pena e participou de vários cursos profissionalizantes como de padeiro e confeiteiro. As atividades, para ele, serviram como ''terapia ocupacional'', mas quando sair da PPC espera voltar para Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa) e retomar o trabalho no ramo de concessionária de motos.(A.L.)

mockup