Aprender a dormir é lição de casa
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de setembro de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Depois de um dia de trabalho e de ocupações com os filhos, tudo o que os pais querem à noite é que eles durmam bem. Mas, e se a criança não consegue? Uma boa noite de sono, segundo especialistas, depende de fatores relacionados à rotina durante o dia. Dormir, ressalta a enfermeira pediátrica Irene de Lazari, de Londrina, é um aprendizado, que deve começar cedo.
É preciso ensinar os pequenos a dormir para que eles possam ter uma noite de descanso físico e psíquico. Irene explica que a primeira fase do sono, chamada de não-REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos), traz o descanso físico, mas é na chamada fase REM, caracterizada pela presença de sonhos e maior atividade neuronal e quando o sono é mais profundo, que há o descanso psíquico e a liberação do hormônio de crescimento. Quando a criança não atinge a fase REM pode haver distúrbio de crescimento e do desenvolvimento, alerta.
A higiene do sono, que ensina a dormir corretamente, nada mais é que uma reorganização dos rituais da noite e a associação da cama com o prazer. O processo é mais comum entre bebês, que não têm um sono contínuo. Se até os seis anos a criança não aprende a dormir, poderá ter dificuldade para pegar no sono e poderá manter a rotina noturna de acordar a cada duas horas. Na adolescência, a falta de limites prejudica o rendimento escolar e provoca irritação e agressividade.
O primeiro passo para o aprendizado, segundo o pediatra Gustavo Moreira, do Instituto do Sono de São Paulo, é estabelecer um horário para dormir. Como os pais trabalham até tarde, a criança costuma esperar para dar boa noite. É preciso que fiquem atentos à quantidade de horas que a criança dorme. O horário estabelecido deve ser respeitado inclusive aos fins de semana. A enfermeira pediátrica explica que, para cada idade, há uma média de horas de sono (veja quadro).
A rotina para dormir, completa Irene, também deve, além do horário, incluir o local - a cama e o quarto da criança. Por isso, não é interessante que o bebê durma na cama dos pais para depois ser levado para a sua. É comum isso acontecer com bebês prematuros, que, pela superproteção dos pais, podem tudo, dormem quando e onde querem. É preciso ficar atento porque isso acaba criando um hábito ruim, avalia.
A higiene do sono também ajuda a corrigir distúrbios, como terrores noturnos, apneia e sonambulismo. Os resultados, segundo o neuropediatra Paulo Breinis, de São Paulo, surgem após dois meses de tratamento. A mudança é demorada, pois mexe com toda a estrutura da família. Todos precisam se adaptar às mudanças, afirma.
Para os adolescentes, nada de televisão ou computador antes de dormir, assim como o hábito de comer ou estudar apoiado ao travesseiro. É preciso que tenham vontade de dormir. Não deve estar associado a obrigações, diz o biólogo do sono Marco Túlio de Mello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). (Com Agência Estado)


