Rio - A delegada Cristiana Bento, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), afirmou que a apreensão do celular de Raí de Souza, na sexta-feira, foi "crucial" para as investigações do estupro coletivo da adolescente de 16 anos na zona oeste do Rio de Janeiro. "Se alguém tinha dúvida se houve ou não estupro, com esse celular, a dúvida acabou. O que a gente vê é a mão do Raphael (Duarte Belo), a voz do Raphael e, na sequência, vê o estupro de vulnerável consumado", afirmou Cristiana. "A polícia sabe que houve estupro de vulnerável."
Cristiana afirmou ainda que a jovem de 16 anos foi negligenciada pelo Estado. "Essa adolescente foi vítima duas vezes. Foi vítima do estupro e da sociedade. O Estado a negligenciou no moral e no social. Essa investigação trouxe mais dignidade para essa jovem", afirmou Cristiana. "Vi nas redes sociais dizerem que ela é isso, é aquilo. Ela é uma adolescente e é responsabilidade de todos o desenvolvimento dessa adolescente", declarou.
A ONG Rio de Paz promoveu, na Praia de Copacabana, ato público contra o abuso sofrido por mulheres. Durante a manifestação, 420 calcinhas estendidas representaram o número de homens que estupram mulheres a cada 72 horas no Brasil. Por ano, são 50 mil.
O fundador da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, disse que o número de 50 mil casos de estupros se refere apenas aos que foram notificados. Segundo ele, há muito mais vítimas desse tipo de crime, o que só reforça a importância da luta pela segurança feminina.

mockup