Dia seguinte ao episódio ainda foi marcado por tensão no Colégio Helena Kolody, onde estudam cerca de 700 crianças e adolescentes
Dia seguinte ao episódio ainda foi marcado por tensão no Colégio Helena Kolody, onde estudam cerca de 700 crianças e adolescentes | Foto: Gustavo Carneiro



Uma adolescente de 16 anos foi flagrada com um revólver calibre 32 e vinte cartuchos no Colégio Estadual Helena Kolody, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). O caso foi registrado nesta segunda-feira (23). De acordo com a direção da escola, a estudante foi revistada após uma denúncia anônima. Ela alegou que queria apenas mostrar a arma para as amigas e não tinha intenção de atirar em ninguém. A situação ocorreu três dias depois de um aluno de uma escola particular em Goiânia (GO) matar a tiros dois colegas de sala.

De acordo com o diretor do Colégio Helena Kolody, Paulo Henrique Dante, a revista foi feita por policiais militares, na presença da mãe da adolescente. "Quando a caixa de munições foi encontrada com uma das alunas, os policiais questionaram onde estava a arma e a aluna levantou a camiseta, mostrando-a em sua cintura", relatou. Dante não escondeu a surpresa com o episódio. "Ela sempre foi uma aluna comportada, nunca apresentou comportamento agressivo. No entanto, a atitude dela nesse episódio foi errada e ainda estamos decidindo como agir com ela", declarou.

Apesar do flagrante, a aluna não foi apreendida. "Ela vai responder um procedimento por porte ilegal de arma de fogo. Não foi apreendida por não ter ameaçado ninguém e nem ter causado violência contra outra pessoa. O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que o delegado só pode apreender se houver grave ameaça ou violência contra a pessoa. Outra hipótese de apreensão é quando há reiteração da prática de atos infracionais, o que não é o caso", explicou o delegado de Cambé, Roberto Fernandes de Lima. O caso será encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude e o juiz vai decidir qual medida socioeducativa será aplicada.

Segundo Lima, a adolescente é cuidadora de idosa e foi no emprego que ela teve acesso ao armamento. "Ela ajudava a idosa na procura de um objeto. Ao encontrá-lo, a senhora guardou a caixinha com a arma e os cartuchos dentro de uma despensa, mas a adolescente, segundo a versão dela, pegou a caixa sem que a idosa soubesse para mostrar a arma para as colegas", relatou. O registro do revólver, que pertencia ao irmão da idosa, já falecido, é de 1970. Procurado pela reportagem, o Conselho Tutelar informou que não se pronunciaria por não ter sido acionado sobre o caso.

A terça-feira (24) no Colégio Helena Kolody, que atende cerca de 700 alunos dos ensinos fundamental e médio, ainda foi marcada por muita tensão. Os estudantes prestavam a Prova Brasil, que é aplicada em todo o País para medir a qualidade da educação básica. "Foram realizadas as provas do nono ano do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio. Isto aqui está uma loucura, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mas acredito que o desempenho dos alunos não deve ser influenciado por tudo isso", projetou Dante.

O agricultor Valdevino Padovani, avô de uma aluna de 14 anos, chegou à escola no início da tarde sem saber do que estava acontecendo e ficou assustado com a notícia. "É uma situação complicada. Agora é a hora da escola e da diretoria terem mais cuidado. Se for preciso deve ser implantada uma rotina de revistas das mochilas", sugeriu. Padovani relembrou o tiroteio em Goiânia e demonstrou preocupação com a ocorrência. "Como pai e avô a gente cuida para que não aconteçam essas coisas, mas infelizmente o mundo é diferente do que a gente pensa", afirmou.

A dona de casa Edilaine Regina da Silva foi levar a filha de 17 anos à escola e avaliou que a direção tomou a decisão correta ao realizar a revista. "A gente não tem ideia do que ela pretendia fazer com a arma. Talvez esse caso seja diferenciado em relação ao de Goiânia, porque a arma não estava carregada, mas a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de um adolescente", declarou.

A estudante que levou a arma ao colégio não compareceu à aula nesta terça-feira. De acordo com diretor, a jovem pode ser encaminhada para atendimento psicológico por meio da Secretaria de Saúde de Cambé.

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