Apreensão de animais tumultua Brasília
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília- Correria, agressões e tumulto marcaram ontem a remoção de pouco mais de 20 animais, apreendidos no circo Le Cirque - cerca de 4 quilômetros do Palácio do Planalto -, para o Zoológico de Brasília, como parte da operação Arca de Noé. Um laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou a interdição do circo por ''falta de segurança'' para o público e ''maus tratos'' aos animais, entre os quais duas girafas, cinco elefantes, chimpanzés, pôneis, um rinoceronte e um hipopótamo.
Tratadores e funcionários que haviam se acorrentado aos rebocadores tiveram as correntes arrebentadas e foram arrastados da frente dos veículos. Artistas do circo, funcionários e até um adolescente de 13 anos que formavam uma barreira humana para resistir à operação também foram retirados à força. ''É uma arbitrariedade'', protestou o advogado Luiz Sabóia, que tentou em vão negociar uma trégua com os fiscais e policiais militares requisitados para dar suporte à operação.
Sabóia exibia uma liminar da Justiça Cível de Brasília, concedida em 2 de agosto, que considerava as condições de alojamento dos animais satisfatórias e derrubava os efeitos da interdição anterior, emitida pelo Ibama no final de julho. Mas o Ibama fez nova inspeção e emitiu novo laudo. Para o advogado, foi uma ''maneira esperta'' do órgão de não cumprir a decisão judicial.
Essa é a segunda vez que o circo é interditado quando vem se apresentar em Brasília, onde a Câmara Distrital aprovou leis rigorosas de proteção aos animais e praticamente inviabiliza sua exibição em circos.
Segundo o coordenador de operações do Ibama, Roberto Cabral Borges, de fato não falta alimento e água fresca para os animais. Mas os espaços em que eles estavam confinados eram ''muito aquém dos limites'' previstos nas normas de proteção e o item conforto também ''deixou muito a desejar''.


