O Ministério da Aeronáutica classificou de ‘‘caso isolado’’ a apreensão de 36 quilos de cocaína pura dentro de um avião C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira, na noite de anteontem, no Recife. Em nota assinada pelo seu Centro de Comunicação Social, distribuída ontem, o Ministério da Aeronáutica afirma que a operação ‘‘foi planejada e conduzida pela Aeronáutica, com o apoio da Polícia Federal’’. ‘‘As investigações, que vinham sendo realizadas pelo Centro de Inteligência da Aeronáutica, cercadas do grau de sigilo que a atuação requeria, atingiram o objetivo de colher provas materiais’’, afirma a nota.
O avião cargueiro que levava a droga pertence ao 1º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação do Rio de Janeiro, especializado no transporte de tropas, seguiria para Palma de Mallorca, na Espanha, de onde retornaria carregado com peças de reposição para a Força Aérea.
A droga estava guardada em duas malas comuns, de cor azul-marinho. Os 36 pacotes estavam cobertos com uma espécie de algodão sintético e embrulhados em papéis decorados com desenhos de personagens de Walt Disney, como o Mickey, a Minie e o Pateta.
Assim como uma grife simboliza qualidade para determinadas roupas, os desenhos seriam um indicativo de procedência da droga. No caso da cocaína apreendida, a suspeita é de que eles indiquem que foi fornecida pelo cartel de Cali, na Colômbia. Testes químicos feitos pela PF revelaram que o grau de pureza da droga é de 98,96%.
Para confirmar que haveria tráfico internacional, os policiais aguardaram que o avião se posicionasse na pista para decolagem. Só após o comandante do cargueiro pedir autorização para a partida, o vôo foi abortado. Os cinco tripulantes do avião foram detidos e começaram a ser interrogados ontem. O Ministério da Aeronáutica determinou a instauração de Inquérito Policial Militar para apurar o caso.
A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) não foi informada previamente da operação. O subsecretário de Coordenação de Repressão da Senad, Newton Mousinho, disse que necessita de cópia do inquérito policial-militar para acionar os órgãos de repressão na Europa, uma vez que a cocaína tinha como destino inicialmente a Espanha.
‘‘Quem seria o receptor da droga? Há conexões com traficantes de grande porte?’’, questionou Mousinho, que espera obter as respostas por intermédio da Aeronáutica. Segundo ele, operações isoladas e sigilosas como essa não integram a proposta da Força-Tarefa Federal, criada para somar esforços dos vários órgãos federais no combate ao narcotráfico.

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