Rio, 21 (AE) - Apesar de, em seu depoimento à Polícia Federal, na última segunda-feira, negar ter conhecimento dos termos da ajuda do Banco Central ao Banco Marka, o ex-diretor de Fiscalização do BC, Claudio Mauch, é quem assina uma carta apreendida pelo Ministério Público Federal do Rio na casa do dono do Marka, Salvatore Alberto Cacciola. Nesta carta, estão expostas as condições para que o banco possa zerar suas posições com o dólar a R$ 1,2750.
O ofício, datado de 14 de janeiro deste ano e endereçado ao Banco Marka, à atenção de Salvatore Alberto Cacciola, tem o número DIRET-99-0081 e diz o seguinte: "Prezado senhor, com referência à proposta expressa na correspondência de V.Sa., desta data, informo que a matéria foi submetida à apreciação da Diretoria desta Autarquia, tendo sido deliberado que o Banco Central do Brasil dará liquidez, ao preço de R$ 1,2750 por dólar norte-americano, às posições em aberto em 14 de janeiro de 1999 que o BANCO MARKA S.A. detém em dólar futuro, mediante as seguintes condições: a) realização da assembléia geral de acionistas, na forma proposta, objetivando a mudança do objeto social e da denominação, até o dia 15 de janeiro de 1999 b) apresentação, até o dia 18 de janeiro de 1999, dos seguintes documentos: i - ata da mencionada assembléia ii - declaração de que trata o artigo 4º da Circular nº 2.502-94, conforme minuta anexa e iii - plano de liquidação de todas as operações passivas privativas de instituição financeira c) adoção de imediatas providências, junto ao Departamento de Operações Bancárias, objetivando o encerramento da Conta Reservas Bancárias d) integral cumprimento das demais condições constantes da dita proposta. Atenciosamente, Cláudio Ness Mauch, diretor".
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), disse, no entanto, que o documento não comprova que Mauch era o coordenador das negociações. "Eu já fui diretor de banco e sei que muitas vezes
quem assina não é quem coordena", afirmou. "Mas vamos ver o que ele vai dizer na CPI". O depoimento de Mauch está marcado para a próxima terça-feira.

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