Londrina - A Associação Paranaense de Supermercados (Apras - regional Londrina) protocolou na Câmara Municipal um documento desqualificando a pesquisa realizada pela empresa MetaMídia por encomenda do Movimento Londrina Competitiva (MLC). Divulgado pela FOLHA dia 11 de junho, o estudo mostra que o londrinense chega a pagar 3,33% mais que o maringaense e 3,31% mais que o Curitibano quando vai ao supermercado.
Para o MLC, a pesquisa comprova que a Lei da Muralha, ao inibir a concorrência no segmento supermercadista, é a responsável pelos preços mais caros em Londrina. Já a Apras, que defende a lei, aponta uma série de supostas irregularidades na pesquisa da MetaMídia. Segundo o documento, a empresa não estaria gabaritada para realizar o trabalho e se equivocou na metodologia utilizada.
Ao divulgar a pesquisa, a MetaMídia disse ter definido uma cesta de 100 produtos para uma família de classe C com quatro integrantes. Essa cesta foi comprada três vezes (nos dias 23 de março, 14 de abril e 26 de maio) em supermercados de Londrina, Curitiba e Maringá nos mesmos dias.
''Em uma primeira etapa, três etabelecimentos foram escolhidos para cada uma das cidades, provavelmente de forma aleatória. Ao anuciar que, na segunda etapa, existem estabelecimentos que não compunham a amostra primeira, maculou-se completamente o trabaho sob este ponto de vista'', diz o documento, que é assinado pelo presidente da Apras, Wilson Yukio Obara, e pelo consultor Adauto de Almeida Tomaszewski.
Segundo a Apras, a pesquisa se esqueceu das ''possíveis variáveis que influenciam na possível diferença de preços de bens de consumo duráveis ou perecíveis''. A entidade também afirma que não existe ''fundamento fático, econômico ou jurídico que dê suporte à afirmação de que leis como a da Muralha tornam a cidade não competitiva e deixam os preços mais caros para a população''.
Até o fechamento desta edição, a MetaMídia não havia respondido às críticas da Apras.
Votação
Na sessão de hoje da Câmara, será votado o parecer contrário da Comissão de Justiça ao projeto de lei 161/2011, do vereador Roberto Fú (PDT), que revoga a Lei da Muralha (9.689/2005). Fú precisa de 10 votos - incluindo o dele - para derrubar o parecer. Se conseguir, seu projeto vai à votação na próxima semana. Mas, para derrubar a Muralha, serão necessários 13 votos. .
Enquete realizada na última terça-feira pela FOLHA mostra que apenas oito vereadores assumem que votarão pela derrubada da lei. E quatro dizem que pretendem votar pela sua manutenção. Os outros sete vereadores ou se declararam indecisos ou disseram que não antecipariam seus votos.
Ontem, o vereador Eloir Valença (PHS) enviou uma nota à reportagem. Ele afirmou: ''Não estou indeciso como publicou o jornal, mas não quero declinar meu voto antes do debate''.

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