Os supermercados do Noroeste tomaram uma iniciativa inédita no País e com apoio de entidades e empresas estão montando a ‘‘Universidade do Varejo’’. A universidade é um supermercado-escola, estocado com ajuda de fornecedores, que vai capacitar e reciclar mão-de-obra para as empresas da região. A idéia surgiu na regional da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras), que reúne mais de 200 empresas em 120 municípios. O projeto já vem despertando o interesse de outras entidades ligadas ao setor.
A ‘‘universidade’’ vai oferecer cursos que vão de repositores a empacotadores, atingindo todos os profissionais que trabalham dentro de um supermercado. ‘‘O comércio varejista sofreu uma grande transformação e hoje a exigência na qualidade do atendimento é muito grande’’, explica o diretor executivo da regional da Apras em Maringá, Luiz Carlos Martins Branco. Além de reciclar os profissionais que já estão no mercado, a entidade pretende formar pessoal para atender a demanda. ‘‘Vamos também formar turmas especiais, que será um trabalho voltado para o social’’.
O trabalho social da Apras será de treinar menores carentes, encaminhados por entidades assistenciais, ou trabalhadores com mais de 40 anos que não conseguem colocação. Hoje, lembra Branco, os próprios supermercados são obrigados a formar a mão-de-obra. ‘‘O custo disso é muito alto e o resultado nem sempre compensador’’, revela. Alguns postos de trabalho, como repositores e empacotadores, apesar de seguir uma rotina simples, exige um certo comportamento do profissional diante do cliente.
Marcos NegriniIntenção é reciclar quem já está no mercado antes de novas turmasO que estava acontecendo, segundo Branco, era uma oferta muito grande de pessoal nem sempre preparado. A própria regional da Apras, há alguns anos, adotou um programa de reciclagem através de cursos e palestras de motivação e orientação. ‘‘Faltava o pessoal enfrentar a situação na prática, o que acabava acontecendo sempre dentro de um mercado, diante de um consumidor’’, revela. Com o supermercado-escola os alunos ou mesmo profissionais que passam por reciclagem terão que enfrentar a situação no meio das gôndolas, simulando em um ambiente igual a qualquer supermercado.
Os fornecedores foram convocados para auxiliar na montagem da escola. As prateleiras terão uma média de 600 itens, dispostos sempre da forma mais usual dentro das empresas. De imediato a intenção é apostar na reciclagem do pessoal que está no mercado, para depois abrir novas turmas. ‘‘Estamos levantando o número de profissionais de cada setor dentro de todos os supermercados do Noroeste, e teremos um mapa para orientar o trabalho da escola’’, explica Branco. Estão programados 15 cursos, mas a meta é ampliar a oferta.
Os cursos iniciais vão de técnica de ampacotamento, cartazista, operador de caixa e repositor de mercadorias, mas a meta é ampliar a escola para atender áreas mais carentes. Branco conta que a intenção da entidade é ter uma cozinha experimental no supermercado-escola, formando pessoal para outras áreas como açougues, peixarias e rotisseries. As grandes empresas fornecedoras de supermercados, que mantêm degustadores e repositores próprios, também serão beneficiados.
Segundo Branco os fornecedores de maior porte já descobriram há algum tempo a importância da disposição e exibição dos produtos. Por isso promovem a formação dos profissionais envolvidos na reposição e degustação de produtos. A escola da Apras vai reciclar profissionais e formar pessoal dentro da realidade global do supermercados. Além do treinamento dentro de cada área de atuação, lembra Branco, os alunos passam por cursos de relacionamento pessoal e motivação.
Para formar o pessoal, a escola da Apras vai contar com a parceria de empresas, entidades e órgãos públicos. Professores e monitores do Senac e da Universidade Estadual de Maringá (UEM), técnicos do Sebrae e especialistas de diversas áreas farão parte do quadro de monitores.
A entidade pretende trabalhar em parceria também com o Sistema Público de Emprego, que vai encaminhar pessoal para capacitação e monitorar as vagas existentes no setor. A Apras está elaborando ainda projetos de formação de pessoal, que deverão ser financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador. As empresas associadas pagarão taxas simbólicas pela participação de funcionários.
A entidade pretende ainda formar turmas paralelas, com menores e pessoas acima de 40 anos. A idéia, explica Branco, é dar oportunidade para filhos de famílias de baixa renda e profissionais com dificuldade de voltar ao mercado de trabalho. Ele diz que os supermercados tem um grande potencial para empregar menores e trabalhadores com mais idade, normalmente desprezados por outros setores. ‘‘Mas é preciso que a pessoa tenha uma qualificação, e nós vamos fazer isso’’, garante.Marcos NegriniMão-de-obraSupermercado-escola vai reciclar e qualificar funcionários de vários setores; projeto vem despertando o interesse de outras entidadesMarcos Zanatta

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