Aposta no mercado do Mercosul não se concretizou
São Paulo, 26 (AE) - As montadoras que se instalaram no País nos últimos anos vieram atrás de um mercado local crescente
mas também do desejo de se transformar em plataformas de exportação para o Mercosul. Pelos mesmos motivos, as que já estavam aqui há décadas fizeram novos investimentos.
Nenhum dos dois mercados deslanchou ainda. Em meados da década, a previsão era de que o Mercosul produziria 3 milhões de veículos em 2000. Na expectativa atual, esse volume será alcançado só a partir de 2003.
No início de 1999, a Anfavea anunciou que as montadoras exportariam US$ 6 bilhões. Problemas internos e, principalmente, decorrentes da crise que atingiu os países latinos fizeram com que mais uma previsão desabasse. O resultado foi metade disso.
A maioria dos modelos produzidos hoje no Brasil é de "carros mundiais" (vendidos em qualquer mercado). Mas, assim como os fabricantes brasileiros, os demais também procuram novos mercados para desovar o excesso de produção, calculado em cerca de 20 milhões de veículos no mundo todo.
O diretor da área Automotiva da A.T.Kearney, Markus Stricker, não acredita que o Brasil se torne um pólo exportador de carros. "É um exagero apostar nisso." Para ele, as exportações deverão responder por no máximo 25% da produção local.
Em sua opinião, as empresas terão de ampliar seu marketing externo para conquistar mercados, até junto às próprias matrizes e subsidiárias. "É preciso também desenvolver produtos específicos." Ele citou como exemplo a Chrysler, que está lançando a picape Dakota movida a diesel e a Ford, que lançou a picape Ranger com cabine dupla, produtos de boa aceitação no exterior.





