Aposentados têm histórias diferentes
Curitiba- Esbanjando simpatia e vitalidade, Elza Cit, 70 anos, não se queixa de quase nada. Vive com o marido, Evaldo Cit, 74 anos, em casa própria, e a renda mensal de aproximadamente três salários mínimos (R$ 1.050,00), juntando a aposentadoria de ambos, segunda ela, dá para se manter. Mesmo assim, o casal apela para os serviços públicos, especialmente, de saúde, já que não conseguem pagar um plano de saúde.
E essa é a única reivindicação de Elza: melhorar o acesso aos serviços médico-hospitalares. Ela costuma ir à Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, no centro de Curitiba, e, para fazer um exame, o tempo de espera, contou, é de seis a oito meses. Se a pessoa tiver um problema sério de saúde, acaba morrendo, complementou.
Elza se considera com sorte de não apresentar nenhuma enfermidade grave. Só tenho um probleminha de artrose e meu marido é hipertenso, mas controla com medicação, afirmou.
Chegar à terceira idade não tirou a disposição nem de Elza, nem de seu marido, que continua trabalhando no comércio em uma loja de propriedade do filho. Elza não trabalha, mas procura se manter ocupada. Tem uma agenda de fazer inveja a muitos jovens: hidroginástica, canto coral, dança folclórica e tricô, quando está em casa. Enquanto isso, a gente não arranja doença, brinca.
Depois de enfrentar jornadas frenéticas de trabalho, durante 25 anos, como motorista de ônibus em São Paulo, aos 79 anos, Afonso Américo de Freitas, prefere aproveitar a aposentadoria para passear e conhecer Curitiba, cidade para qual se mudou há cerca de oito meses. Mora com a mulher, Porfíria Carvalho de Freitas, 70 anos, na casa da filha e na companhia de dois netos. Graças a Deus vivo bem, afirmou.
Com a renda do aluguel da casa que tem em São Paulo, Freitas paga o aluguel em Curitiba e o dinheiro da aposentadoria é suficiente para o casal se manter. Mesmo assim, o aposentado admite que, também, precisa buscar auxílio do poder público quando precisa de tratamento médico.
Emília Bacagini de Araújo, 65 anos, já não tem uma vida tão tranqüila assim. A aposentadoria de um salário mínimo (R$ 350,00) é apertada para dar conta das despesas de casa e, principalmente, com a saúde. Por isso, de segunda a sexta-feira, ela vende balas-de-goma em pontos de ônibus para complementar a renda. Eu continuo trabalhando para não ter que pedir nada para ninguém, disse ela.
Os dez filhos que criou, praticamente, sozinha, também, não têm condições de ajudá-la, contou Emília. A gente que é pobre não pode dar estudo para os filhos e aí acaba que, às vezes, sou eu que ainda tenho que ajudar um ou outro, lamentou. Emília mora com o neto Felipe, que serve o Exército, onde ganha uma cesta básica, ajudando a avó. Para as consultas e remédios, ela diz que tem um médico, que faz as vezes de seu anjo da guarda e a atende gratuitamente. (A.L.)





