São Paulo, 19 (AE) - Cerca de dois mil aposentados e pensionistas fizeram hoje passeata pelo centro de São Paulo para protestar contra a intenção do governo de reajustar o salário mínimo segundo o menor índice de preços ao consumidor - o que daria algo em torno de 4% - e ainda de desvincular o mínimo das aposentadorias e pensões. Segundo a Federação dos Aposentados do Estado de São Paulo, o reajuste necessário para repor perdas desde 1989 é de 66%, sem contar a inflação dos últimos 12 meses.
A categoria reivindica ainda abertura de negociações com o governo antes de maio. Os aposentados querem ser recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Previdência, Waldeck Ornelas. Hoje foi o Dia Nacional de Mobilização e Luta dos Aposentados.
Centenas deles chegaram aos centro de São Paulo em caravanas do Interior. O presidente da federação, Antônio Carlos Domingues Costa, informou que apenas no Estado de São Paulo existem 4,2 milhões de aposentados, a imensa maioria com ganhos insuficientes para o próprio sustento.
Em anos anteriores, o governo reajustou o salário mínimo e as aposentadorias segundo o IGPDI da Fundação Getúlio Vargas. Esse índice de preços sempre foi o mais baixo, entre todos os outros. Contudo, este ano, a situação se inverteu e o IGPDI está bem mais alto do que os demais: deve resultar em algo entre 8% e 9,6% até o final deste mês.
Justamente agora, o governo fala em usar outro indicador
como o IPC, que nos últimos 12 meses não ficou muito longe de 4% (falta conhecer a inflação de abril para fechar o índice). Para Costa, ambos são insuficientes.

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