Aposentadorias comprometem reposição de efetivo
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
O governo estadual iniciou esta semana o chamamento de 2.222 novos policiais militares, 609 bombeiros e 64 delegados que deverão reforçar o quadro das forças de Segurança Pública no Paraná. Os militares começam na próxima semana o Curso de Formação de Soldados (CFSd), que dura em torno de 10 meses e tem cerca de 1,5 mil horas/aulas, entre teóricas e práticas. Já os delegados passam a frequentar a partir de março o curso de formação que tem 280 horas/aulas de duração.
Com as novas contratações, o governo supera a meta inicial de contratação de 10 mil homens. Além das 2.895 nomeações recentes, 7.505 policiais, sendo 5.809 militares e 1.696 civis, já haviam ingressado nas corporações. Para as entidades de classe, as contratações representam um avanço, mas há que se considerar as baixas sofridas, principalmente com aposentadorias.
Segundo o coronel da reserva da Polícia Militar e diretor de Comunicação da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos e Inativos (Amai), César Alberto de Souza, todo ano um contingente de 500 a 700 policiais militares deixa o quadro da corporação. "A grande maioria dos casos é de aposentadoria, mas também tem mortes, invalidez, ou aqueles que passam em outros concursos", detalhou o oficial.
Souza lamentou que a demora para a nomeação dos novos policiais. "As contratações eram para ter ocorrido há quase um ano. O governo alegou ajuste fiscal, mas enfim conseguimos mais essa conquista, que melhora a segurança nas ruas e dá melhores condições de trabalho para os militares", comentou. De acordo com o coronel da reserva, os maiores beneficiados devem ser os bombeiros. "As contratações vão amenizar a carga horária excessiva dos bombeiros, que estão trabalhando muito mais que as 40 horas previstas."
O presidente da Amai admitiu que as contratações ficaram acima da reposição, mas lembrou que a defasagem ainda é grande. "Este governo assumiu com a maior defasagem de policiais da história. Para corrigir toda a distorção acumulada, esperamos a contratação de mais mil policiais militares para o início do ano que vem". Segundo as contas do governo estadual, nos cinco anos da atual gestão, houve uma média de 1.501 contratações de policiais por ano, contra uma média 995 contratações anuais entre 2003 e 2010.
REGIÃO DE LONDRINA
As baixas por aposentadoria também atingem a Polícia Civil. Só na região de Londrina, dois delegados se retiram este mês. Em Rolândia, Walter Helmutt Junior já deixou o comando da delegacia local. Para o lugar dele, a Polícia Civil designou o delegado Marcelo Sakuma, da 22ª Subdivisão Policial de Arapongas. Ontem, ele ainda respondia cumulativamente pelas duas unidades. Já em Cambé, o delegado Jorge Barbosa dará lugar a Algacir Ramos, que já comandou a Delegacia de Trânsito e o 6º Distrito Policial de Londrina.
O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol), Cláudio Marques Rolin e Silva, também ressaltou a importância das novas contratações, mas também mencionou as baixas sofridas e a necessidade de aumentar o efetivo da Polícia Judiciária. "Não vai solucionar o problema, mas já é um começo. Temos mais 110 aprovados em concursos para delegado esperando o chamamento", ressaltou.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) afirma que após a formação dos 64 novos delegados, o Paraná terá um delegado em cada comarca. "É uma conquista histórica, aguardada há anos pelos paranaenses. Com delegados em todas as comarcas iremos garantir mais agilidade e qualidade no trabalho policial", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Júlio dos Reis.
Rolim e Silva, no entanto, lembra que determinadas comarcas exigem mais que um único delegado. "Há várias cidades que demandam um delegado chefe, um adjunto e um operacional. Isso hoje ainda é uma exceção", argumentou. Para o presidente do Sidepol, a demanda emergencial da Polícia Civil é se livrar da guarda de presos. "Quem investiga criminosos não pode fazer a guarda, jamais. É como colocar um posto de gasolina e uma fábrica de pólvora na mesma rua", reclamou.
Por meio de nota, a Sesp destacou a importância das contratações nos últimos anos e informou que o efetivo atual da Polícia Militar e dos Bombeiros é de pouco mais de 22 mil homens, enquanto o da Polícia Civil é de 4,3 mil servidores, entre delegados, escrivães e investigadores.
O órgão informa ainda que os novos delegados devem reforçar o trabalho de investigação em Subdivisões, delegacias da Mulher e em outras delegacias especializadas, além de suprir a demanda no Interior do Estado.



