Aposentado que matou cinco é encontrado morto
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domingo, 27 de agosto de 2000
Evaldo Magalhães Agência Estado De Belo Horizonte 
O aposentado Otávio Rodrigues de Oliveira, 38 anos, assassino confesso de cinco familiares, no final de julho, foi encontrado morto ontem cedo na cela onde estava preso, na carceragem da delegacia de Formiga (240 km de Belo Horizonte). Segundo o detetive Jairo Silva, o aposentado suicidou-se.
Silva contou que o ex-funcionário da Infraero, de onde se afastara havia 12 anos por supostos problemas mentais, estava sozinho na cela. Ele aguardava julgamento na comarca da vizinha cidade de Arcos, onde ocorreram os crimes.
Ele usou um torniquete para se enforcar, feito com um fio comum e uma escova de dentes, informou o policial. Oliveira deixou uma carta na qual deu explicações sobre seus atos e reiterou ameaças que havia feito a outras dez pessoas, a maioria parentes, os quais também pretendia matar.
No dia 31 de julho, o aposentado matou a tiros, em casas diferentes, a mãe, a ex-mulher, a ex-sogra, o ex-cunhado e um irmão. Em seguida, levou para onde morava três de seus quatro filhos. Oliveira havia amarrado cinco botijões de gás em um dos cômodos e ameaçava acionar um dispositivo para explodir tudo, matando as crianças e a si próprio.
Depois de muitas tentativas de negociação por parte da polícia, um dos filhos conseguiu sair da casa e contou aos policiais que o pai adormecera. O local foi invadido, as crianças foram salvas e o aposentado, que na verdade, tomara veneno de rato, foi levado em estado grave para o hospital.
O assassino recuperou-se uma semana depois e, ao ser ouvido pelo delegado Rezende, confirmou o motivo que o levara a cometer os crimes. Ele vivia brigando com os familiares para ter a guarda dos filhos e queria vingar-se. Disse ter se arrependido da morte da mãe, que fora um acidente.
O juiz de Arcos, Eudas Botelho, determinou a transferência do acusado para Formiga temendo por sua segurança em Arcos, onde os crimes geraram revolta da população. No inquérito o delegado Rezende afirmou que Oliveira premeditou os assassinatos e que ele deveria ser julgado por cinco homicídios dolosos e qualificados. Com isso, deveria ficar preso pelo resto da vida.


