Londrina - ''Aquilo lá era uma zona. Tinha prostitutas, travestis.'', Sentado num sofá de uma instituição de longa permanência para idosos, João (nome fictício), 63 anos, descreve o local onde viveu nos últimos quatro meses. Ele é uma das três pessoas que estariam vivendo em cárcere privado em uma pensão na Avenida São João (Zona Leste).
Nascido em Jaú (SP), João veio para o Paraná com 5 anos de idade e vive em Londrina desde 1974. Casou na cidade, mas se separou há mais de dez anos. ''Tenho uma filha de 19 anos. Ela estuda na UEL, mas faz alguns meses que não a vejo.''
Sobre o motivo da separação, João preferiu não conversar. Aposentado, João sobrevive de uma aposentadoria de um salário mínimo. ''Eu morava sozinho, tinha até carro, mas fui roubado. Depois fui para um asilo da cidade. Eu ajudava lá a cuidar das pessoas, era bem tratado'', contou.
Segundo ele, um desentendimento teria provocado a saída do asilo. ''Eu procurei o lugar lá (pensionato). Pagava R$ 180 por mês e os outros pagavam R$ 280. Pagava menos pois fiz um empréstimo para a dona'', revela. De acordo com ele, há cerca de um mês a dona do local está com o seu cartão da aposentadoria. ''Ela ficava me enrolando para devolver, mas me falaram que vão conseguir de volta para mim'', disse.
João nega que tenha problemas com álcool, mas foi encontrado no local com indícios de embriaguez na segunda-feira. Apesar de possíveis informações desencontradas, João fala com lucidez.
Depois de um dia numa instituição para longa permanência de idosos, ele disse que está feliz. ''Pretendo ficar aqui ou talvez voltar para o asilo em que estava antes''.(D.B.)

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