Aposentado mata 5 familiares e é preso
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Agência Estado De Arcos, MG 
Uma bárbara chacina deixou perplexos os moradores da pacata cidade de Arcos, no centro-oeste mineiro, a 211 quilômetros de Belo Horizonte. Após matar cinco pessoas da mesma família, o controlador de vôo aposentado Otávio Rodrigues de Oliveira, de 38 anos, manteve por cerca de dez horas três filhos como reféns na sua residência, no bairro Esplanada, na periferia do município. Por volta das 17 horas, as crianças foram libertadas sem ferimentos e o aposentado - que estava armado e ameaçava explodir vários botijões de gás -, foi preso.
No início da madrugada de ontem, depois de matar a mãe, Leopoldina Cândido de Mendonça, de 82 anos, e o irmão, José Rodrigues de Souza, de 49 anos, Otávio entrou na casa da ex-mulher e assassinou a tiros a ex-sogra, Terezinha Fernandes Dias, de 60 anos, a própria ex-esposa, Maria Célia Rodrigues, de 36 anos e o cunhado Antônio Henrique Dias, de 32 anos. O aposentado ainda feriu com um tiro no peito outro cunhado, Daniel Fernandes Dias, de 23 anos, que foi levado para o Hospital de Divinópolis, onde, segundo as últimas informações, até o final da tarde de ontem, já não corria mais risco de vida.
Segundo informações da Polícia Militar e de moradores, Otávio estava separado da esposa há seis meses. Eles tinham quatro filhos e a mãe detinha a guarda das crianças, mas havia um acordo verbal entre o casal de que cada um ficaria uma semana com os filhos. Na última vez em que estava com as crianças, o aposentado extrapolou o limite do acordo e permaneceu com os filhos por cerca de duas semanas. No domingo, quando quis reaver as crianças, Otávio foi impedido pela ex-mulher. A notícia foi dada pela filha mais velha, S.R.O, de 17 anos.
Revoltado, por volta das 2 horas de segunda-feira ele foi à casa da mãe e pediu dinheiro ao irmão para fugir com os filhos. Diante da recusa de José Rodrigues, Otávio o matou com seis tiros e depois a própria mãe com um tiro no peito e outro na cabeça.
O aposentado ainda amarrou e amordaçou a filha, seguindo para a casa da ex-mulher. Lá ele assassinou com tiros os parentes e sequestrou os outros três filhos - G.R.O, de 14 anos, R.R.O, de 10 anos e A.R.O, de 8 anos. A polícia já havia sido chamada por vizinhos da casa da ex-mulher de Otávio, que ouviram vários disparos. Perseguido, no início da manhã ele se refugiou em sua residência, mantendo os três filhos como reféns e ameaçando matá-los.
Várias equipes de Belo Horizonte e das cidades vizinhas foram deslocadas para o local. A polícia cercou a residência e impediu a aproximação dos curiosos que se aglomeraram nas proximidades. As negociações eram tensas e Otávio exigia a presença da filha mais velha, que já havia conseguido escapar.
O desfecho do sequestro foi proporcionado por um descuido do aposentado. O filho mais velho tomou-lhe a arma, saindo da casa em seguida. A polícia, então, invadiu o local e libertou as duas meninas. Otávio permaneceu acuado num cômodo, tendo em volta cinco botijões de gás. Porém, segundo o capitão Robson Queiroz, ele parecia sonolento, provavelmente porque fazia uso de fortes medicamentos, não oferecendo resistência à prisão.


