Santos, SP, 24 (AE) - O petroleiro aposentado Adevaldo de Souza doou hoje seu corpo à Faculdade de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), para ser objeto de estudo pelos estudantes após sua morte. Souza, que tem 61 anos, pensou inicialmente em ser cremado, mas achou o serviço caro. Consultando a lista telefônica, descobriu que a Unimes tinha uma Faculdade de Medicina. "Daí surgiu a idéia de doar meu corpo, após a morte, para estudos". Imediatamente partiu para ação.
Após fazer os primeiros contatos telefônicos com a universidade, na semana passada ele informou seu desejo, pessoalmente, à diretoria da instituição. "Minha filha do primeiro casamento não gostou muito da idéia no começo, mas agora já se acostumou", contou o aposentado. Geralmente, os corpos utilizados para estudo na universidade são de indigentes. "Essa é a primeira vez que recebemos esse tipo de doação e a universidade sente-se honrada em conhecer pessoas como Adevaldo de Souza, que vão ajudar nossos alunos a salvar vidas", afirmoua Rosinha Viegas, reitora da Unimes.
A doação também foi comemorada pelo professor Liberato Di Dio, titular da cadeira de Anatomia do curso. Segundo ele, há muita dificuldade, no Brasil, em conseguir corpos para estudos e pesquisas. "Nos Estados Unidos, como é baixo o número de indigentes, são as pessoas mais ricas e cultas que doam seus corpos. Na Europa isso também vai acontecendo, mas no Brasil, infelizmente, temos que usar corpos de pessoas anônimas que, sem querer ou saber, ajudam a salvar vidas", comentou.

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