Curitiba- Cerca de 10% a 15% da população tem dificuldades para engravidar espontaneamente. O especialista Karam Abou Saad, observa que o casal que tem relações sexuais sem evitar gravidez, durante o período de um ano, já é considerado infértil e está autorizado a fazer uma investigação e tratamentos.
O ginecologista é quem deve fazer o primeiro atendimento e solicitar exames como espermograma, radiografia das trompas e estudo da ovulação da mulher. Muitas vezes, é o próprio ginecologista quem trata o casal. Só quando o problema é mais complexo, encaminha os pacientes a um especialista em reprodução assistida. ''Selecionamos os espermatozóides e fecundamos os óvulos em laboratório. Só 20% dos casais precisam recorrer as essas técnicas. Nossa clínica já reproduziu mais mil bebês em laboratórios'', contabiliza Abou Saad, que é diretor do Centro Paranaense de Fertilidade.
O médico destaca que a própria mulher procura, muitas vezes, ''viver com a infertilidade. ''Há algum tempo, que as mulheres priorizam a carreira, o sucesso profissional e deixam para casar ou ter filhos depois dos 35 anos. O problema é que isso diminui as chances de engravidar espontaneamente e elas vão enfrentar uma corrida contra o tempo. Muitas se atrapalham, porque falta informação sobre reprodução assistida, e acabam investindo em tratamentos ineficazes'', alerta o especialista.
Foi o caso da advogada Jaqueline Bini, 38 anos, casada há sete. Ela decidiu privilegiar a carreira, assim como o marido, e postergou os planos de ter filhos. ''Como profissional autônoma eu queria trabalhar bastante para poder ter estabilidade e tempo para me dedicar ao meu filho. De 2004 a 2007, levei a coisa mais a sério, considerava os períodos férteis e tentei engravidar naturalmente, mas não consegui. Foi quando meu ginecologista recomendou que eu procurasse um especialista'', lembra. Ela fez quatro fertilizações in vitro, duas convencionais e duas simplificadas, no último ano.
''Por causa da minha idade, decidi pular da estimulação ovariana e inseminação artificial direto para a fertilização in vitro. Queria ganhar tempo, diminuir as despesas e a pressão psicológica. As sucessivas frustrações de insucesso na gravidez somadas à turbulência hormonal que a mulher sofre é bem agressivo. A medicação em altas doses nos deixa com muitos efeitos colaterais'', contou Jaqueline Bini, que se desfez de patrimônio para cobrir os gastos com a fertilização convencional, cerca de R$ 10 mil por procedimento. ''Não só pelo preço, mas também pelo sofrimento, eu não iria conseguir fazer novamente a convencional. Daí busquei outra opinião'', relata.
Em dois meses, a advogada fez duas tentativas de fertilização in vitro simplificada, tomando doses menores de medicação, durante seis e oito dias. Conseguiu engravidar: ''Eu não tive diagnóstico, mas sou uma mulher que ovula menos e tenho um perfil de vida que não colabora para engravidar, desde a idade a vida muito agitada e estresse. Mas com a fertilização simplificada foi tudo mais fácil, menos dolorido, cheguei a esquecer que estava fazendo o tratamento. E isso ajudou muito'', acredita Jaqueline, acariciando a barriguinha de quase cinco meses. ''Esse bebê é a realização do sonho de constituir uma família. Já penso em todas as fases de desenvolvimento dele, até na formatura'', brinca a mamãe.(F.G.)

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