Após três acidentes, motorista desiste de viagens longas
Londrina - Caminhoneiro há mais de três décadas, Ari Pereira da Silva, de 55 anos, de Londrina, observa nas estradas a realidade identificada pela pesquisa de doutorado do professor Edmarlon Girotto. Depois de sofrer três acidentes na Rodovia Castelo Branco, no Estado de São Paulo, por dirigir com sono, assistir todo tipo de imprudência cometida por outros caminhoneiros visivelmente afetados por substâncias psicoativas e ver a morte de inocentes em acidentes previsíveis, ele tomou a decisão de não viajar mais por longas distâncias. Há cinco anos, investiu em um caminhão próprio e, atualmente, só faz viagens curtas, que permitem dormir quase todos os dias em casa e conviver com a esposa e os quatro filhos.
"Estava cansado e com problemas de saúde. Meu colesterol estava altíssimo", conta ele, que graças à nova rotina conseguiu emagrecer seis quilos, baixou o nível do colesterol e faz caminhadas diárias. "Deixo a bermuda e o tênis no caminhão", ensina.
Dos tempos em que trabalhava como empregado de uma empresa, transportando carne para todos os destinos possíveis, ele tem lembranças de andar sempre cansado. "Sentia fraqueza nos braços e nas pernas e, depois de muito tempo dirigindo, mal raciocinava. Foi assim que me envolvi em acidentes", conta ele, que lamenta, também, o pouco tempo passado com os filhos. "As empresas enrolam para emitir a nota da carga, o caminhoneiro perde o dia parado e se vê obrigado a trabalhar à noite", denuncia.
Nas estradas, ele garante que o uso de drogas como cocaína e até mesmo o crack é comum entre os colegas de estrada. "É muito perigoso, porque a pessoa ganha confiança e ultrapassa todos os limites. Acontece que o caminhão carregado é muito pesado, precisa de muita responsabilidade para dirigir", alerta.
Herosmar Santos, de 35 anos, de Curitiba, também optou por fazer viagens mais curtas para passar mais tempo com a esposa e os filhos. Sem nenhum acidente no histórico de mais de dez anos na profissão, ele jamais abusa da velocidade. "Estou sempre com o pé no freio", diz. Como o colega Ari, ele garante que vê muitas loucuras pelas estradas, possivelmente praticadas por motoristas alterados. "Quem está com a consciência normal não comete este tipo de abuso", avisa. Segundo ele, motoristas jovens, com longas distâncias a cumprir, acabam abusando de drogas como cocaína e crack. "Quem tem família não se envolve com essas coisas", acredita.(C.A.)





