Agência Estado
De Porto Alegre
Henrique Busnardo, de 12 anos, que recebeu parte dos pulmões dos pais, quer ‘‘jogar futebol’’, seu esporte favorito, tão logo saia do hospital. Há quatro anos ele não faz isso. Com bronquiolite, uma doença degenerativa que afetou drasticamente sua capacidade respiratória, Henrique recebeu parte dos pulmões de seus pais na sexta-feira, num transplante inédito realizado no Brasil.
Nos Estados Unidos, cerca de 70 cirurgias do gênero já foram feitas desde 1991, quando o médico Vaughn Starnes, que desenvolveu a técnica, operou o primeiro paciente. A cirurgia foi realizada na Santa Casa de Porto Alegre. Ontem, o chefe da equipe de transplantes do hospital, José Camargo, classificou a recuperação do paciente de ‘‘extraordinária’’.
Os pais do menino, Márcia e Amadeo, fizeram uma defesa comovida da doação de órgãos. Se não recebesse parte dos pulmões dos pais, Henrique não teria mais do que seis meses de vida. O menino deverá ter alta em um mês. Cerca de 40 pessoas participaram das três cirurgias quase simultâneas. A mãe foi operada para retirada do lobo inferior do pulmão esquerdo. Trinta minutos depois, em outra sala, o pai foi submetido à mesma cirurgia para retirada de parte do pulmão direito. Tão logo foi retirada parte do pulmão da mãe começou o transplante no menino. O formato e o volume dos dois pedaços equivalem ao de um pulmão de criança. As três intervenções demoraram mais de sete horas.
Amadeo, pequeno empresário de Curitiba, e Márcia, dona de casa, terão uma vida normal, segundo os médicos, com 80% da capacidade respiratória.

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