"A GM tem treinamento melhor do que a Polícia Federal. Temos reciclagens periódicas e estamos preparados para atuar no combate à criminalidade", afirmou Evaristo Kuceki
"A GM tem treinamento melhor do que a Polícia Federal. Temos reciclagens periódicas e estamos preparados para atuar no combate à criminalidade", afirmou Evaristo Kuceki | Foto: Ricardo Chicarelli



O secretário de Defesa Social de Londrina, Evaristo Kuceki, esteve nesta quinta-feira (13) na Câmara de Londrina para responder questionamentos de vereadores sobre o acompanhamento da saúde mental dos agentes municipais, além de outros pontos envolvendo a Guarda Municipal. A preocupação aumentou após três pessoas serem assassinadas e outras duas baleadas na cidade no dia 3 de abril, crimes que têm como suspeito o guarda municipal Ricardo Leandro Felippe. Kuceki anunciou que entre outras medidas tomadas após o ocorrido, o acesso a arma se tornou mais restrito.

De acordo com o secretário, quaisquer situações de atestados médicos que não forem especificadas serão tratadas como problema de saúde mental. "O paciente tem direito ao sigilo e, muitas vezes, não sabemos ao certo a gravidade da doença. Se o agente revelar o problema, como um caso de ortopedia, por exemplo, ele continua com a arma. Agora, atestados com doenças não especificadas implicarão automaticamente na retenção da arma", explicou. Kuceki disse ainda que após uma averiguação detalhada, outro agente teve a arma recolhida.

Questionado pelo vereador Amauri Cardoso (PSDB) sobre a periodicidade das avaliações psicológicas dos agentes, Kuceki respondeu que, pelo porte de armas, eles são obrigados a se submeter aos exames uma vez a cada dois anos. O vereador Jairo Tamura (PR) também se manifestou e demonstrou preocupação com as condições de preparo da Guarda Municipal. "Diante do cenário que temos em Londrina, com a presença de grandes organizações criminosas, há a sensação que a GM não está preparada para a ostensividade", disse. Delegado aposentado da Polícia Federal, Kuceki garantiu a eficácia do treinamento da unidade municipal. "A GM tem treinamento melhor do que a Polícia Federal. Temos reciclagens periódicas e estamos preparados para atuar no combate à criminalidade."

Para o vereador João Martins (PSL), que fez o primeiro pedido para que o Executivo apresentasse explicações sobre os crimes atribuídos ao agente, a avaliação psicológica periódica deve ser estendida a todos os servidores municipais. "Os guardas municipais devem ter prioridade, mas essa é uma questão importante que deve abranger todo o funcionalismo", defendeu.

Os vereadores questionaram ainda se o agente não estaria armado em período de folga. Kuceki garantiu que Felippe chegou pela manhã para trabalhar e, sem bater o ponto, pegou a arma e saiu sem comunicar os superiores. "A partir do momento que entrou na unidade, ele estava em serviço. Para adivinhar que ele faria o que fez, só se tivéssemos bola de cristal", lamentou.

O vereador Vilson Bittencourt (PSB) disse que as argumentações do secretário foram importantes, mas relatou que a preocupação ainda existe. "Temos uma apreensão muito grande em relação às questões admissionais e de treinamento. É preciso que fique claro algumas questões relacionadas a esses dois quesitos", disse. O vereador antecipou que irá procurar conhecer as preparações da GM e da Polícia Militar. "Vamos fazer uma comparação e saber se há equivalência. Se não houver, vamos cobrar pelo menos uma aproximação."

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