Força da água causou vários estragos em pelo menos 15 casas do distrito, mas ninguém se feriu
Força da água causou vários estragos em pelo menos 15 casas do distrito, mas ninguém se feriu | Foto: Fotos: Anderson Coelho



Os moradores do distrito de Irerê, na zona sul de Londrina, foram surpreendidos na tarde de domingo (11) por uma enxurrada que derrubou muros, invadiu casas e interditou ruas. Por volta das 16 horas, uma chuva forte e localizada atingiu o distrito.
Em poucos minutos, um grande volume de água desceu da área mais alta da localidade atingindo 15 residências, de acordo com a Defesa Civil. A casa do casal Elton Rodrigues Alves, 31, metalúrgico, e Viviane Aparecida Policarpo Moreira, 29, auxiliar de odontologia, foi uma das primeiras a ser invadida pela lama. Eles moram na rua Silveiro Vieira. Outras duas residências da rua foram atingidas.
Alves quebrou o muro para dar vazão à água e diminuir o volume dentro de casa. "Era muita lama com sujeira. Foi sujando o que pegou pela frente. As roupas do bebê ficaram pura lama", contou Moreira.
Ela estava na casa da mãe, na parte baixa do distrito e precisou esperar o nível de um córrego próximo diminuir até conseguir atravessar uma ponte. "Cheguei aqui uma meia hora depois e ele [o marido] já estava limpando a lama. Fizemos um mutirão com umas 15 pessoas da família para limpar tudo. O carrinho do bebê era pura lama. Algumas roupas dele nem adianta lavar", disse Moreira.
Algumas quadras mais abaixo, na rua Aristides Carvalho de Oliveira, a enxurrada derrubou muros e também entrou nas casas. "Estávamos lá fora e vimos uma nuvem preta vindo. Só deu tempo de entrar que começou a chover e dali a pouco veio a água entrando em tudo. Olhei para fora e o muro da Lourdes (vizinha) já tinha estourado", contou a doméstica Dorvalina Cordeiro da Costa, 69.
Costa mora em Irerê há 32 anos e afirmou que foi a primeira vez que presenciou uma enxurrada tão forte. "Quando vimos a água entrando cada um pegou uma vassoura e foi tirando a água. Deu prejuízo, mas não machucou ninguém", comentou.
Na casa da aposentada Lourdes Carlos, 73, dois muros estouraram e lama arrastou entulhos pelo terreno. A água também invadiu a casa do filho da aposentada que fica nos fundos do terreno. "Ele não tinha muita coisa, mas o que tinha ficou molhado", disse.
A tubulação que passa ao lado da casa do pintor Lorisvaldo dos Santos, 61, na avenida Paraná, não suportou o volume de água e transbordou alagando o terreno. "Nunca tinha visto nada igual. A força da água era tanta que podia te carregar", disse o pintor. Ele estava na casa do cunhado, na quadra de cima, na hora da chuva e só pode olhar a enxurrada passar pela sua casa. "Levei um susto, mas nesta hora a gente coloca nas mãos de Deus."
"O moledo que estava no tereno foi todo embora. A enxurrada trouxe muita sujeira, pedaços de TV, bicicleta velha. Veio de tudo lá de cima", disse. A lama fechou a avenida que só foi liberada na tarde de segunda-feira.

A auxiliar de odontologia Viviane Moreira precisou fazer um mutirão para limpar toda a sujeira deixada pela enxurrada
A auxiliar de odontologia Viviane Moreira precisou fazer um mutirão para limpar toda a sujeira deixada pela enxurrada



INSTABILIDADE
As tempestades localizadas devem continuar até o fim do verão. De acordo com o meteorologista Paulo Ricardo Barbieri, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o calor associado com um fluxo de umidade vinda do Norte do País, que entrou no Estado pela região Norte, deixa o tempo instável colaborando para as tempestades isoladas. A instabilidade atinge todas as regiões do Paraná. Cascavel (Oeste) foi a cidade que registrou maior volume de chuva nas últimas 48 horas. Na segunda-feira choveu cerca de 70mm. Em Londrina, neste carnaval choveu 11mm. Até domingo (11) havia chovido 61,8% do previsto para o mês de fevereiro.

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