Após temporal, moradores fazem mutirão de limpeza em Irerê
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Os moradores do distrito de Irerê, na zona sul de Londrina, foram surpreendidos na tarde de domingo (11) por uma enxurrada que derrubou muros, invadiu casas e interditou ruas. Por volta das 16 horas, uma chuva forte e localizada atingiu o distrito.
Em poucos minutos, um grande volume de água desceu da área mais alta da localidade atingindo 15 residências, de acordo com a Defesa Civil. A casa do casal Elton Rodrigues Alves, 31, metalúrgico, e Viviane Aparecida Policarpo Moreira, 29, auxiliar de odontologia, foi uma das primeiras a ser invadida pela lama. Eles moram na rua Silveiro Vieira. Outras duas residências da rua foram atingidas.
Alves quebrou o muro para dar vazão à água e diminuir o volume dentro de casa. "Era muita lama com sujeira. Foi sujando o que pegou pela frente. As roupas do bebê ficaram pura lama", contou Moreira.
Ela estava na casa da mãe, na parte baixa do distrito e precisou esperar o nível de um córrego próximo diminuir até conseguir atravessar uma ponte. "Cheguei aqui uma meia hora depois e ele [o marido] já estava limpando a lama. Fizemos um mutirão com umas 15 pessoas da família para limpar tudo. O carrinho do bebê era pura lama. Algumas roupas dele nem adianta lavar", disse Moreira.
Algumas quadras mais abaixo, na rua Aristides Carvalho de Oliveira, a enxurrada derrubou muros e também entrou nas casas. "Estávamos lá fora e vimos uma nuvem preta vindo. Só deu tempo de entrar que começou a chover e dali a pouco veio a água entrando em tudo. Olhei para fora e o muro da Lourdes (vizinha) já tinha estourado", contou a doméstica Dorvalina Cordeiro da Costa, 69.
Costa mora em Irerê há 32 anos e afirmou que foi a primeira vez que presenciou uma enxurrada tão forte. "Quando vimos a água entrando cada um pegou uma vassoura e foi tirando a água. Deu prejuízo, mas não machucou ninguém", comentou.
Na casa da aposentada Lourdes Carlos, 73, dois muros estouraram e lama arrastou entulhos pelo terreno. A água também invadiu a casa do filho da aposentada que fica nos fundos do terreno. "Ele não tinha muita coisa, mas o que tinha ficou molhado", disse.
A tubulação que passa ao lado da casa do pintor Lorisvaldo dos Santos, 61, na avenida Paraná, não suportou o volume de água e transbordou alagando o terreno. "Nunca tinha visto nada igual. A força da água era tanta que podia te carregar", disse o pintor. Ele estava na casa do cunhado, na quadra de cima, na hora da chuva e só pode olhar a enxurrada passar pela sua casa. "Levei um susto, mas nesta hora a gente coloca nas mãos de Deus."
"O moledo que estava no tereno foi todo embora. A enxurrada trouxe muita sujeira, pedaços de TV, bicicleta velha. Veio de tudo lá de cima", disse. A lama fechou a avenida que só foi liberada na tarde de segunda-feira.

INSTABILIDADE
As tempestades localizadas devem continuar até o fim do verão. De acordo com o meteorologista Paulo Ricardo Barbieri, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o calor associado com um fluxo de umidade vinda do Norte do País, que entrou no Estado pela região Norte, deixa o tempo instável colaborando para as tempestades isoladas. A instabilidade atinge todas as regiões do Paraná. Cascavel (Oeste) foi a cidade que registrou maior volume de chuva nas últimas 48 horas. Na segunda-feira choveu cerca de 70mm. Em Londrina, neste carnaval choveu 11mm. Até domingo (11) havia chovido 61,8% do previsto para o mês de fevereiro.


