Imagem ilustrativa da imagem Após suspensão de cobrança, Econorte deixa de prestar socorro médico e mecânico
| Foto: Ricardo Chicarelli



A Triunfo Econorte anunciou que a partir da zero hora de 2 de janeiro deixará de prestar socorro médico e mecânico nas rodovias BR-153, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), e PR-090, no trecho entre o entroncamento com a BR-369 até o trevo de acesso ao município de Assaí (Região Metropolitana de Londrina). A medida, informou a concessionária, é decorrente da decisão judicial que determinou o encerramento da cobrança de pedágio na praça de Jacarezinho. Segundo a Econorte, a cada ano eram realizados mais de 1.600 atendimentos nestes trechos.

Em nota encaminhada à imprensa por sua assessoria na noite de sexta-feira (28), a concessionária reforçou que discorda "integralmente da decisão liminar emitida pela 1ª Vara de Justiça Federal de Curitiba". A decisão anulou os termos aditivos firmados que incluíam os trechos da BR-153 e PR-090 na operação da concessionária quando houve a mudança da praça de pedágio de Cambará para Jacarezinho e ocasionou a suspensão da cobrança de pedágio em 23 de novembro. No entanto, a Econorte entende que a partir do momento que a Justiça torna sem efeito os aditivos, ficam anulados também os serviços prestados pela empresa nesses trechos, que deixam de ser parte do lote entregue à concessionária.

A concessionária disse que em respeito aos usuários decidiu manter os socorros médico e mecânico durante o período das festas de final de ano, quando o tráfego nas rodovias fica mais intenso, mas afirmou ter enviado comunicado ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná) no último dia 18 de dezembro informando sobre a interrupção dos serviços a partir de 2 de janeiro e cobrou medidas de proteção aos usuários das rodovias. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) também estaria ciente da decisão.

Em nota, o governo do Estado lamentou e reprovou a decisão da concessionária que implicará punição aos usuários "por possíveis erros cometidos por seus próprios gestores". Conforme a nota, o DER deve adotar as medidas necessárias para que os atendimentos aos usuários prossigam e a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) analisa a manifestação da Econorte e, caso a operação seja realmente suspensa antes de um posicionamento da procuradoria, o DER deverá emitir um auto de infração.

O governo do Estado também reforçou o seu posicionamento sobre a necessidade de maior transparência nos atuais contratos de concessão rodoviária, que se encerram em 2021, a fim de evitar maiores prejuízos à população.

PRF

O inspetor da PRF na região de Londrina, Pedro Faria, desconhecia a decisão da Econorte, mas informou que a corporação dará continuidade ao seu trabalho de forma a não deixar os motoristas sem atendimento. "Todo serviço que vem a contribuir para o socorro e o resgate e possa salvar vidas é bem visto pela Polícia Rodoviária Federal, mas se a concessionária tomou essa decisão, deve estar respaldada por uma questão jurídica. Nós vamos continuar desenvolvendo nosso trabalho. Estamos com equipes escaladas para dar mais segurança e, acima de tudo, preservar a vida dos usuários", comentou o inspetor. A Polícia Rodoviária Estadual informou desconhecer a decisão da Econorte.

Segundo a coordenadoria de comunicação da equipe de transição do novo governo estadual, a questão diz respeito ao atual governo, cuja agenda nesta segunda-feira (31), e a próxima gestão só poderá agir após a posse, no dia 1º de janeiro. A partir do dia 2, poderão ser tomadas as medidas legais cabíveis para garantir a assistência aos motoristas. De qualquer forma, a coordenadoria disse que a informação seria repassada ao futuro secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex.

OBRAS

Além da suspensão da operação nas rodovias, a Econorte interrompeu, no dia 21 de dezembro, a execução das obras de ampliação da capacidade, manutenção e restauração da BR-153 e paralisou os serviços de conservação da BR-153 e PR-090. Na nota da assessoria, a concessionária afirma que "esses movimentos causam prejuízo imediato e de longo prazo aos usuários, visto a perda de receita (via suspensão da cobrança de pedágio e redução da tarifa em quase 27%) e poderá acarretar reequilíbrios econômico-financeiros onerosos às tarifas de pedágio".

A empresa destacou ainda que tenta, por via judicial, restabelecer as condições contratuais estabelecidas na época da concessão, há 20 anos, para poder reativar a praça de pedágio de Jacarezinho. A operação dos demais trechos do lote entregue à Econorte segue sem alteração.

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